Escrevo esse texto na véspera da votação do projeto de lei contra as chamadas “fake news”. Pode ser que quando você leia esse texto ele nem seja mais atual, caso o senado rejeite a lei. Nesse caso, considere as linhas a seguir como “fake news”. Ok?!
Embora muita gente já tenha gritado aos quatro cantos e também nas redes sociais que "Fake News é crime”, na verdade, não é não. Essa é mais uma lenda urbana que foi criada por pessoas que queriam desviar o foco de uma verdade inconveniente.
Eu li o projeto que quer perseguir as “fake news” e sim, ele é cheio de boa intenções. Ele pretende regular como as plataformas lidam com as informações; quer identificar todos os usuários e suas informações podem ser entregues compulsoriamente; pretende criar os “verificadores de fatos” e ninguém sabe quem, de fato, serão eles.
O que mais incomoda no projeto de lei é que, na realidade, ele não pretende proteger o cidadão, que hora ou outra é vítima de injuria ou difamação. O que se pretende, ao que parece, é proteger certas pessoas ou grupos da “verdade inconveniente”.
A verdade inconveniente é aquela que tem cara de verdade, cheiro de verdade, cor de verdade, mas a pessoa jura que não foi bem assim. A verdade inconveniente reside, muitas vezes, nas intenções obscuras e desvios de finalidade dos políticos mentirosos.
Se um político muda um funcionário do local de trabalho por perseguição política e esse funcionário faz a denúncia, lá estará o termo “fake news”para proteger o político.
Perseguição será “fake news”, desvio e abuso de poder será “fake news” e tudo isso poderá ser validado por um grupo chamado “verificadores de fatos”.
Esses, supostamente independentes, irão checar se o que está sendo dito é verdade ou mentira. Mas a pergunta que sempre deve ser feita é: Quem vai remunerar os verificadores de fatos?
Quem remunera o locutor de rádio que defende um prefeito e critica tudo que vai contra sua administração? Quem remunera o jornalista que segue a mesma linha? Quem remunera tantos outros verificadores que já existem e que gritam com todas as letras: “FAKE NEWS”?
Não precisamos de uma lei para termos verificadores de fatos e muito menos para obrigar provedores e portais a fornecerem os dados de quem eles assim entenderem. Isso a justiça já tem seus meios para fazer.
A verdade sempre depende da ótica sob a qual é analisada. A mentira também!
Quem julga no que acreditar são as pessoas que tem liberdade para isso. Se não formos livres nem para fazer esse julgamento, não seremos livres para mais absolutamente nada.
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