Já apontamos anteriormente a data de 31 de março de 1890 como o momento do retorno das antigas Fazendas Cordeiro e Cascalho, do
Município de
Rio Claro para
Limeira, de onde foram transferidas na data que está no título, através da Lei nº 96.
Neste artigo, pretendemos recuperar as figuras dos barões de Cascalho e de Porto Feliz, proprietários das referidas fazendas, e cuja sucessão das propriedades motivou esta movimentação, que passou se tornar prejudicial aos interesses não só do Governo de São Paulo, na qualidade de proprietário do Núcleo Colonial do Cascalho entre 1884 e 1893, bem como dos moradores da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, fundada por Manoel Barbosa Guimarães, em terras adquiridas de herdeiros dessas propriedades.
Segundo um site de Limeira, reproduzindo informações do livro “História de Limeira”, de Reynaldo Kuntz Busch, o barão de Cascalho, chamado José Ferraz de Campos, nasceu em 1787 em Itu, filho do Sargento-Mor Antonio Ferraz de Campos e de sua esposa, Maria da Cunha Almeida. Teria casado em 1806 em Campinas, com Umbelina de Camargo, filha Antonio Pompeu de Camargo e de Anna Arruda Campos.
Depois do falecimento do seu irmão Manoel Ferraz de Campos (1773-1827), passou a cuidar das propriedades da família, os “Engenhos de Cascalho e Cordeiro”, numa época em que a principal atividade agrícola era o plantio de cana para exportação de açúcar. Foi agraciado com o título de Barão de Cascalho em 14 de agosto de 1867, em virtude de sua contribuição para o pagamento das despesas com a Questão Christie. Faleceu em 24 de setembro de 1869 em Limeira.
Teve treze descendentes diretos: Maria Gertrudes Ferraz de Campos (1808-1882), Maria Cândida de Campos Ferraz (nascida em 1809 e falecida em data desconhecida), Antonio Ferraz de Campos Camargo (1811-1892), Leocádia Ferraz de Campos (nascida em 1813 e falecida em data desconhecida), José Bonifácio de Campos Ferraz (1815-1884), o barão de Monte Mor; Estanislau de Campos Ferraz (nascido em 1817 e falecido em data desconhecida), Francisca de Campos Ferraz (nascida em 1819 e falecida em data ignorada), Theolinda Ferraz de Camargo (1821-1888), Anna Ferraz de Campos (nascida em 1822 e falecida em data desconhecida), Umbelina Ferraz de Campos (nascida em 1824 e falecida em data ignorada), Brandina Ferraz de Campos (nascida em 1826 e falecida em data desconhecida), Maria Luiza Ferraz de Campos (1828-1858) e Cândido José de Campos Ferraz (1830-1879), o barão de Porto Feliz.
O Barão de Monte Mor casou-se em 9 de abril de 1839 em Campinas com sua prima Francisca de Paula Andrade (1819-1880) e com ela não teve filhos. Recebeu o título em 22 de julho de 1874. O Barão de Porto Feliz nasceu em Campinas, transferindo-se para Rio Claro em 1864 em uma de suas fazendas e posteriormente construindo um casarão no Centro da cidade. Recebeu o titulo em 6 de novembro de 1867.
Casou-se em 1860 com Francisca Dias de Toledo (1844-1879) e teve quatro filhos, um homem - Zulmiro Ferraz de Campos, nascido em Rio Claro (1870-1960), advogado e professor do Colégio Universitário da USP e três mulheres - Marcolina Ferraz de Campos Jaguaribe (1861-1881), primeira esposa do Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho; Belmira Ferraz de Campos (1863-1954), casada duas vezes e Cândida Ferraz de Campos (1869-1925), também casada.
Cândido José de Campos Ferraz, barão de Porto Feliz, faleceu em Rio Claro em 12 de dezembro de 1879. Do casamento de sua filha Marcolina, como vimos acima, com o cearense Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho (1848-1926), descendente do Visconde de Jaguaribe, teve três filhas: Laura Nogueira Jaguaribe, nascida em 1879 e falecida em 1931; Flora Nogueira Jaguaribe, nascida em 1880 e falecida em 1951 e Alzira Nogueira Jaguaribe, nascida em 1881 e falecida em 1895. Para resolver uma questão particular, que era a sua residência e ligação com Rio Claro, que entrava em conflito com a jurisdição de sua fazenda, conseguiu, através da Lei nº 96, de 21 de abril de 1880, transferir as propriedades de Cordeiro e Cascalho de Limeira para Rio Claro, que só retornaram à cidade original dez anos depois.
No caso das terras da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, segundo uma publicação oficial da década de 1920, ela primeiramente foi registrada pelo Barão de Cascalho em 24 de maio de 1855, de acordo com as disposições da Lei de Terras e do seu regulamento. Com o falecimento de sua esposa, Umbelina de Camargo Campos, em 1862, o imóvel foi herdado pelas filhas Anna Gertrudes e Brandina, esta falecendo em 1878 e seus herdeiros destinando a área para Umbelina Ferraz de Andrade e Alberto Ferreira Penteado, que venderam a Manoel Barbosa Guimarães em 21 de janeiro de 1879. É nesta situação que este proprietário faz o loteamento da sua propriedade para a formação do Centro de
Cordeirópolis.
Apesar do que ocorreu posteriormente, a compra dessas terras, herdadas de sua falecida esposa pelas filhas Laura e Flora, pelo Governo de São Paulo, em 1884, visando a criação do Núcleo Colonial do Cascalho, e a criação da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros, em parte do território da antiga Fazenda Cordeiro, foram realizadas quando as duas propriedades pertenciam ao Município de Rio Claro, em decorrência desta legislação.
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