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 40 anos da inauguração e início de funcionamento do Terminal Rodoviário de Cordeirópolis - Portal Cordero Virtual

40 anos da inauguração e início de funcionamento do Terminal Rodoviário de Cordeirópolis

22/10/2026 17:38:57
Até a década de 1980, a cidade era servida por duas companhias de ônibus que faziam viagens intermunicipais, uma era a Viação Cidade Azul, que servia as cidades de Cordeirópolis, Santa Gertrudes, Rio Claro, Limeira, Americana, Campinas e São Paulo, com pontos de embarque situados na Rua Saldanha Marinho, entre as Ruas 7 de Setembro e Visconde do Rio Branco, próximo ao local popularmente conhecido como “Bar do Gambarotto”, onde eram vendidas as passagens.

A outra era a Viação Santa Cruz, que fazia viagens entre Araras, Cordeirópolis, Santa Gertrudes e Rio Claro, usando a Rodovia Constante Peruchi (SP-316) e a Rodovia Anhanguera (SP-330), cujo ponto de embarque ficava na Rua Visconde do Rio Branco, entre as Ruas Toledo Barros e 13 de Maio, cujas passagens eram vendidas num anexo ao Bar do Paulo Peruchi, conhecido posteriormente como “Bar da Amábile”. 

Esta situação começou a mudar com a aprovação da Lei Municipal nº 1250, de 18 de abril de 1984, onde o Município de Cordeirópolis ficava autorizado a celebrar convênio com o Governo do Estado de São Paulo, representado pela Secretaria de Estado dos Negócios dos Transportes, através do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), visando a construção do Terminal Rodoviário de Passageiros em seu território. 

Por conta deste convênio, o Município ficava autorizado a receber auxílio financeiro proveniente do “Plano de Aplicação do ISTR – Imposto sobre os Serviços de Transportes Rodoviário Intermunicipal e Interestadual de Pessoas e Cargas”, um imposto criado pelo Governo Federal em 1975 e extinto com a estrutura tributária criada pela Constituição Federal de 1988. 

Em caso de desistência da construção ou cancelamento do convênio, por inadimplência do Município, a prefeitura estaria obrigada a restituir ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem), o valor correspondente às parcelas recebidas, devidamente corrigido de acordo com o índice oficial vigente. 

Com a aprovação do projeto, o então Prefeito José Geraldo Botion encaminhou ofício à Câmara “em retribuição à confiança depositada nesta administração”, dois croquis, elaborados pelo Setor de Engenharia da Prefeitura, representando duas opções quanto ao local de instalação e funcionamento do terminal, destacando-se num deles, um terreno de 2.091,50 m2 de propriedade da tradicional empresa Torção Cordeiro. 

Uma estrutura legal existente no período anterior à Constituição de 1988 era a possibilidade de que a Câmara “referendasse” as escolas feitas pela Prefeitura, e com base nisso, a maioria vereadores daquele  período, apresentaram um projeto, no dia 2 de maio daquele ano, obrigando que o local da construção do terminal rodoviário de passageiros, em convênio com o DER, fosse referendado pela Câmara. 

A questão política deve ter sido resolvida, pois através do Projeto de Lei nº 2/1985, de 7 de janeiro, foi encaminhado o pedido de autorização para permuta de terras entre a Prefeitura e a citada empresa, que iria trocar uma área de 2.752,72 m2 na Rua Guilherme Krauter, esquina com a Rua José Moreira, por uma área de propriedade do Município, com 15.015 m2. A primeira área foi destacada de uma gleba que fazia parte da Fazenda Ibicaba e a segunda, de um grupo de lotes do Núcleo Colonial do Cascalho desapropriados em 28 de outubro de 1926. 
A Comissão de Avaliação nomeada pela Portaria nº 1374, de 29 de novembro de 1984, composta pelo advogado Ruy Pignataro Fina, o engenheiro Jahyr Aguiar e o corretor Antonio Carlos Pagoto, concluiu que a área urbana poderia ser dividida em sete lotes destinados a construções residenciais ou comerciais e a rural, em três partes, destinadas a chácaras de recreio e por isso seus valores seriam diferentes. 

A área da empresa têxtil foi destacada de uma área de aproximadamente 5.000 m2, adquirida em 1946  e que naquele momento se encontrava sem nenhuma construção, somente cercada com muros, com guias e sarjetas, integrada na área urbana da cidade. De acordo com o art. 3º, o proprietário renunciaria à diferença entre os valores, conforme termo que deveria fazer parte da escritura pública a ser feita. 

A construção do terminal se prolongou por mais de um ano, sendo que o início das obras foi registrado pela imprensa nacional em junho de 1985 e no segundo semestre do ano seguinte começaram a ser tomadas as medidas legais no âmbito municipal, através de decretos do então Prefeito José Geraldo Botion (1948-2025). 

Pelo Decreto nº 920, de 28 de julho de 1986, o terminal foi denominado “Elizabeth Krauter”, baseando-se no fato de que a família estava com indústria na cidade desde 1941, já havia sido feita homenagem ao fundador através da denominação de Guilherme Krauter à Rua Nova da Paz, que o estabelecimento industrial da família tinha, naquele momento, 470 funcionários, a empresa teve participação decisiva na construção e instalação, do terminal rodoviário, com relação à sua localização e a intenção era homenagear o casal Walter e Marisia Krauter, dando o nome de sua primeira filha ao local. 

Pelo Decreto nº 929, de 22 de agosto de 1986, foi outorgada permissão de uso de dependência do Terminal Rodoviário de Passageiros deste município, para instalação e funcionamento de serviços de bar e lanchonete, onde a prefeitura dizia que não tinha interesse, naquele momento, em manter estes serviços com recursos próprios, que a opção era entregar a prestação de serviços a terceiros através de permissão, e por isso, a Prefeitura abriu edital para escolha de um permissionário, sendo escolhida a firma W. P. da Silva.

Em 4 de setembro, através do Decreto nº 932, a Prefeitura, após ter recebido solicitação de comerciante local, permitiu a exploração de atividade de “venda de pipoca”, a título precário, desde que recolhida a taxa de exercício do comércio ambulante ou eventual, e sem caráter de monopólio. No mesmo dia, através do Decreto nº 931, baseando-se na “necessidade de manutenção de uma banca de jornais e revistas” no local, foi aprovada a solicitação feita pelo futuro vereador Antonio Carlos Pio Soares e emitida a permissão. 

Conforme nota na edição do dia 2 de setembro de 1986 no jornal “O Estado de São Paulo”, intitulada “Cordeirópolis inaugura a estação rodoviária”, as autoridades de Cordeirópolis, região de Campinas, marcaram para o dia 6 [sábado], a inauguração da estação rodoviária da cidade, construída no cruzamento das Ruas Guilherme Krauter e José Moreira, próxima à Rodovia Washington Luiz e à solenidade de inauguração deveriam estar presentes o Governador do Estado, Franco Montoro, o Vice-Governador, Orestes Quércia e o Presidente Nacional do PMDB, deputado Ulysses Guimarães. Estive lá neste momento e só não me lembro da presença do deputado.
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Revivendo História
Por: Paulo César Tamiazo - Historiador - MTE nº 713/SP
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis - ISNI: 000000053060614X
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