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 23 de fevereiro de 1887: a Câmara de Limeira reivindica o retorno de Cordeiro - Portal Cordero Virtual

23 de fevereiro de 1887: a Câmara de Limeira reivindica o retorno de Cordeiro

03/03/2026 05:51:43
Até 1875 não havia nada na região de Cordeiro e Cascalho, a não ser as fazendas de mesmo nome. A ferrovia da Companha Paulista de Estradas de Ferro (CPEF) atingiu Limeira e Rio Claro em 1876, sendo que a estação de Cordeiro só foi construída alguns anos depois. Em 1880, após o falecimento do Barão de Porto Feliz e sua esposa, os locais foram transferidos de Limeira para Rio Claro devido ao melhor relacionamento dos herdeiros com esta cidade. O Barão de Porto Feliz era Cândido José de Campos Ferraz, filho do Barão de Cascalho. 

Em março de 1884 o Governo de São Paulo aprovou a lei que previa criar núcleos coloniais por todo o Estado, com o objetivo de atrair imigrantes europeus que não estivessem interessados em simplesmente trabalhar nas fazendas de café, mas conseguir sua propriedade, comprando lotes de terra que seriam implantados em propriedades adquiridas pela administração estadual. 

No fim deste ano, foi apresentado um relatório pela comissão encarregada de estudar locais onde o sistema poderia ser efetivado, mas o primeiro local criado foi o Núcleo Colonial do Cascalho, cujas terras foram compradas em abril do ano seguinte. As primeiras famílias a adquirirem lotes começaram a se transferir para a povoação durante o ano de 1886, sendo um dos primeiros moradores Gaspar Lucke, patriarca de uma tradicional família de Cordeirópolis da qual fez parte o Professor Odécio Lucke, homenageado na denominação da Escola Estadual do Jardim Progresso. 

Graças à Assembleia Legislativa, pudemos tomar conhecimento do abaixo-assinado, feito entre os dias 27 e 29 de janeiro de 1887, onde a população do local então denominado Capela de Santo Antonio dos Cordeiros representa aos deputados para que fizessem gestões junto ao Governo Provincial para a criação de uma escola de primeiras letras para as crianças que moravam no núcleo primitivo de Cordeirópolis. 

Consta que a povoação tenha sido fundada por Manoel Barbosa Guimarães, de Rio Claro, que no início de março de 1886, há quase 140 anos, iniciou a construção de uma capela em homenagem a Santo Antonio, muito popular entre os portugueses, conhecido neste país como Santo Antonio de Lisboa. Coincidentemente, com a mudança de imigrantes italianos para o local, suplantando os portugueses, o santo padroeiro se manteve, uma vez que ele era conhecido na Itália como Santo Antonio de Pádua. 

No momento, a explicação para a criação da povoação se deve à demanda de profissionais não agrícolas na região, motivados pelo crescimento populacional e econômico do Núcleo Colonial de Cascalho, que passou a receber mais imigrantes compradores de seus lotes de terra nos meses seguintes. 

Uma das condições para a implantação dos Núcleos Coloniais era que ele estivesse próximo de “estradas de ferro e rios navegáveis”, pois a experiência dos núcleos criados pelo Governo Imperial foi criticada por deixar os imigrantes, mesmo em suas propriedades, em locais “no meio do nada”, sem acesso adequado para a comercialização de seus produtos e para todos os atos da vida cotidiana. 

Já tínhamos visto, no final da década de 1990, a referência a este fato, mas não pudemos analisar com mais profundidade. Recentemente, usamos dos meios legais para conseguir junto à Câmara de Limeira informações sobre esta iniciativa. Pelo Núcleo de Registro, Arquivo, Documentos e Biblioteca do Legislativo limeirense, foi enviada uma reprodução em PDF das páginas manuscritas do Livro de Atas daquele período, onde constavam as seguintes informações: 

“[Indicação]Nº 3 de Borges Sampaio e outros - Indicamos que se represente à Assembleia Provincial pedindo que se desanexe do Município de Rio Claro a fazenda denominada Cascalho e a Capela de Cordeiros, tanto mais quanto estes territórios, na parte eclesiástica, estão sob a jurisdição desta Paróquia [de Nossa Senhora das Dores de Limeira.”

Conforme verificamos em pesquisas posteriores, o projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa Provincial, mas vetado pelo então Presidente da Província Pedro Vicente de Azevedo. A situação só foi resolvida quando Prudente de Moraes, que foi posteriormente Presidente da República, assumiu o Governo do Estado e deu a Cordeirópolis não só o retorno solicitado, bem como a sua primeira autoridade policial, ao mesmo tempo em que reduzia a única escola primária, abandonada pelo seu primeiro professor.
 Revivendo História - Portal Cordero Virtual
Revivendo História
Por: Paulo César Tamiazo - Historiador - MTE nº 713/SP
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis - https://orcid.org/0000-0003-2632-6546
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