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Carnaval é sinônimo de festa, alegria e muita animação, mas também pode representar riscos à saúde do coração quando os excessos entram em cena. Uma condição que merece atenção é a chamada síndrome do coração festeiro, caracterizada por alterações no ritmo cardíaco pelo consumo excessivo de álcool, energéticos, cafeína, noites mal dormidas e desidratação.
O cardiologista Edson Elviro Alves, da Hapvida, diz que o problema é mais comum do que se imagina. "As arritmias podem aparecer após excessos típicos de períodos festivos, como o Carnaval. O álcool em grande quantidade interfere diretamente no sistema elétrico do coração, alterações que podem ser potencializadas pelos 'energéticos', tão consumidos atualmente", explica.
O coração funciona a partir de impulsos elétricos que mantêm os batimentos em ritmo regular, conta o médico. O consumo excessivo de álcool, associado ou não aos energéticos, gera no organismo alterações que interferem nesses impulsos. Em parte dos casos, surgem arritmias, especialmente a fibrilação atrial.
"Em muitos casos, o coração volta ao ritmo normal após a interrupção dos excessos associada à hidratação adequada. No entanto, se as arritmias permaneceram após 24 horas de abstinência, podem ser necessárias intervenções e acompanhamento médico", afirma Alves.
O risco para os jovens
Pessoas com histórico de doença cardíaca são uma parte dos grupos de risco. "Mesmo indivíduos jovens, aparentemente saudáveis, podem apresentar arritmias após abusar do álcool, misturar bebidas alcoólicas com energéticos, dormir pouco e enfrentar calor intenso", alerta Edson Elviro Alves.
A atenção deve ser redobrada com pessoas idosas, hipertensas, diabéticas, cardiopatas, com arritmias prévias e com histórico de doenças cardíacas na família. Quem faz uso contínuo de medicamentos também inspira cuidados.
Os sintomas mais comuns incluem palpitação, sensação de coração acelerado ou irregular ("batedeira"), falta de ar, tontura, cansaço intenso e dor no peito. Os casos mais graves incluem desmaio. "Palpitação após beber não deve ser considerada normal, principalmente se for intensa, persistente ou vier acompanhada de outros sintomas", reforça o cardiologista.
A orientação é procurar atendimento médico imediato diante desses sinais. Porém, a prevenção é o melhor caminho, incluindo curtir a folia com responsabilidade.
"O segredo é o equilíbrio. Hidratar-se bem, evitar o consumo excessivo de álcool, não misturar bebida alcoólica com energético, alimentar-se adequadamente e respeitar os limites do corpo fazem toda a diferença", orienta.
Intercalar bebida alcoólica com água também reduz a sobrecarga do coração. Pessoas que utilizam medicamentos contínuos devem ter cuidado redobrado, já que o álcool pode interferir na ação dos remédios.
"O coração também sente os excessos. Ouvir os sinais do corpo é fundamental para evitar complicações", conclui o cardiologista.