O coletivo Mulher Vive vai promover, no dia 17 de janeiro, das 9h às 12h, a segunda mobilização contra a violência doméstica. O evento, que neste ano leva o nome de “
Limeira quer Mulheres Vivas”, tem o propósito de reunir mulheres e homens de diferentes idades, religiões e posições políticas para reafirmar a urgência do enfrentamento à violência doméstica.
O Mulher Vive foi criado em janeiro de 2025, logo após o feminicídio da jovem Ingrid de Jesus Corrêa, de 23 anos, que ocorreu em Limeira na noite de 29 de dezembro de 2024. Várias mulheres indignadas com mais um crime desta natureza se uniram para juntar forças e lutar contra os diversos tipos de agressões e mortes de mulheres.
A urgência dessa causa é reforçada por incidentes recentes em Limeira. No início deste mês, uma mulher de 38 anos foi vítima de uma tentativa de feminicídio quando foi atingida por três disparos de arma de fogo feitos pelo ex-companheiro enquanto estava dentro de um carro com a filha de 5 anos e a irmã. A agressão, que ocorreu após o término do relacionamento há cerca de três anos, deixou a mulher sem os movimentos das pernas.
O relatório de feminicídio 2025 do UNODC e da ONU Mulheres confirma que o feminicídio continua a tirar a vida de dezenas de milhares de mulheres e meninas em todo o mundo, sem sinais de avanços reais. Em 2024, 83 mil mulheres e meninas foram mortas intencionalmente. Dessas, 60%, ou 50 mil, foram mortas por parceiros íntimos ou familiares. Isso significa que uma mulher ou menina é assassinada por um parceiro ou familiar a cada 10 minutos, uma média de 137 por dia.
PROGRAMAÇÃO
O evento “Limeira quer Mulheres Vivas” terá uma programação extensa com rodas de conversa, falas de especialistas em violência doméstica, organizações que atendem vítimas e representantes de iniciativas de proteção e prevenção.
A proposta do evento é informar, escutar, orientar e engajar toda a comunidade, especialmente homens, que têm papel fundamental no combate à cultura de machismo e violência. “As estatísticas e os casos que vemos em nossa cidade nos lembram todos os dias que não podemos cruzar os braços. Este evento é um convite para cada pessoa refletir e agir, porque prevenir a violência contra a mulher é responsabilidade de toda a sociedade”, afirma a pedagoga Gisele Godoi, idealizadora do Movimento Mulher Vive.
A participação é gratuita e aberta, e o coletivo convida todos os moradores de Limeira e região a se juntarem nessa causa que visa promover um futuro em que mulheres vivam com dignidade, segurança e respeito.