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 Apoio das empresas é fator determinante para o retorno ao trabalho após o câncer de mama - Portal Cordero Virtual

Apoio das empresas é fator determinante para o retorno ao trabalho após o câncer de mama

Estudo inédito, publicado na revista 'Mastology', periódico da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), mostra que questões organizacionais superam condições clínicas na reintegração de profissionais que passam pelo tratamento da doença

20/06/2026 11:38:01
Apoio das empresas é fator determinante para o retorno ao trabalho após o câncer de mama
Apoio das empresas é fator determinante para o retorno ao trabalho após o câncer de mama
O apoio oferecido pelos empregadores às mulheres que passam por tratamento de câncer de mama é um fator determinante para o retorno ao trabalho. Combinado com ajustes na rotina e readaptação funcional, o suporte dado pelas empresas contribui para que as profissionais retomem mais rapidamente suas atividades. “A reintegração profissional após o câncer de mama não é apenas médica, mas organizacional”, afirma o mastologista Marcelo Antonini, que coordena um estudo pioneiro e de grande relevância para a formulação de políticas de saúde ocupacional.

O estudo “Análise longitudinal dos fatores que influenciam o retorno ao trabalho após o tratamento de câncer de mama entre servidores públicos em São Paulo” foi publicado na revista Mastology, periódico científico da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Com a participação de pesquisadores do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira (HSPE-SP) e do BBREAST (Brazilian Breast Cancer Association Team), a investigação também tem a colaboração de centros de excelência de todo o Brasil.

A pesquisa envolveu 300 servidoras públicas estaduais de São Paulo diagnosticadas com câncer de mama não metastático e submetidas a tratamento cirúrgico no HSPE-SP entre outubro de 2021 e dezembro de 2022. “Até então, não existiam estudos publicados sobre o padrão de retorno ao trabalho entre servidoras públicas com plano de saúde privado no Brasil”, destaca Antonini, que é chefe do Setor de Ginecologia e Obstetrícia do HSPE-SP e fundador do BBREAST.

Das 300 participantes, 74,3% retornaram ao trabalho no prazo de 18 meses após o tratamento; 80,6% voltaram nos primeiros seis meses. Neste contexto, o estudo mostra que pacientes com doença em estadio inicial e tumores menores apresentaram taxas de retorno às atividades profissionais mais elevadas em comparação com mulheres diagnosticadas com tumores mais avançados. A pesquisa evidencia também que tumores em estadio inicial, menores e sem comprometimento linfonodal foram abordados com cirurgia conservadora de mama e biópsia do linfonodo sentinela, enquanto a doença avançada exigiu, com mais frequência, mastectomia, dissecção axilar e procedimentos que corroboraram para menores taxas de retomada da rotina de trabalho.

Ao abordarem as estratégias de tratamento, os pesquisadores constataram que a quimioterapia neoadjuvante ou adjuvante foi associada a menores taxas de volta às atividades profissionais (33,3% e 50%, respectivamente), enquanto as pacientes submetidas à radioterapia voltaram mais rapidamente ao trabalho (85,3%). O uso de terapia anti-HER-2 e terapias hormonais, aponta Antonini, não resultou em diferenças estatisticamente significativas nas taxas de retorno à rotina laboral.

Como destaca o mastologista André Mattar, tesoureiro da SBM, também participante do estudo, os dados mais relevantes associados à retomada do trabalho não dependeram do tipo de tumor ou do tratamento. “Quando fazemos a análise ajustada, os fatores que mais influenciaram essa reintegração ao trabalho foram o apoio do empregador, da chefia e a possibilidade de readaptação funcional”, enumera. “Muitas pessoas terão alguma limitação funcional. Desta forma, ajustes nas atividades, na rotina e nas condições de trabalho são fundamentais.”

De acordo com a pesquisa, trabalhadoras que receberam apoio do chefe ou da empresa após o diagnóstico de câncer de mama tiveram o dobro de chance de retornar às atividades profissionais. A readaptação funcional, quando oferecida pelo empregador, triplicou a probabilidade de reintegração. “Mulheres que retornaram ao trabalho também tiveram melhores resultados em score de qualidade de vida, especialmente no funcionamento físico, da vida social, da imagem corporal e perspectiva do futuro”, pontua Mattar.

O estudo considera barreiras psicológicas, como depressão e ansiedade pós-tratamento, como principais razões para a não retomada profissional (54,5% dos casos), seguidas por sequelas físicas do tratamento oncológico (36,4%). Outro dado de grande relevância destaca relatos de discriminação por parte do empregador como fator associado à menor probabilidade de reintegração no trabalho.

A estabilidade do vínculo empregatício e o acesso a um sistema de saúde ocupacional estruturado mostraram-se protetores importantes para explicar taxas de retorno superiores às observadas em estudos conduzidos no sistema público de saúde. “Gestores públicos e privados precisam entender que políticas de readaptação funcional e suporte psicossocial não são apenas benefícios humanitários. São investimentos que determinam se uma trabalhadora vai ou não conseguir retomar sua vida profissional após o câncer”, conclui Marcelo Antonini.

Fonte: Redação MXP

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