Quando o assunto é saúde do coração, é comum que a consulta ao cardiologista seja associada apenas à presença de sintomas ou a um problema já diagnosticado, como dor no peito, falta de ar ou palpitações. No entanto, o cuidado cardiovascular começa muito antes de qualquer sinal aparecer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo e respondem por cerca de 17,9 milhões de óbitos a cada ano.
De acordo com a Dra. Tatiane Emerich, médica e professora da pós-graduação em Cardiologia da Afya Educação Médica Vitória, diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, entre eles pressão alta, predisposição genética, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade e consumo prejudicial de álcool. Muitos deles podem ser prevenidos, identificados precocemente ou controlados. Por isso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e acompanhar indicadores como pressão arterial, colesterol e glicemia são medidas que contribuem para a proteção cardiovascular.
Para a cardiologista, a prevenção deve começar antes do surgimento de sintomas ou de um diagnóstico. Isso porque algumas doenças e alterações podem evoluir de forma silenciosa durante anos.
“Cuidar do coração não deve ser encarado como uma tarefa que começa aos 50 ou 60 anos. As doenças cardiovasculares que se manifestam nessa fase geralmente são resultado de processos que se desenvolvem silenciosamente ao longo de muitos anos, como a aterosclerose, que está por trás de grande parte dos infartos e AVCs. Por isso, a prevenção é uma construção para a vida inteira. Na infância e na juventude, passa pela formação de bons hábitos e, na vida adulta, pela manutenção desses hábitos e pelo acompanhamento de fatores como pressão arterial, colesterol, glicemia e peso. Quanto mais cedo identificamos um fator de risco, maior é a oportunidade de evitar danos no futuro”, afirma Dra. Tatiane.
Sentir-se bem, portanto, não significa necessariamente estar livre de riscos. “A hipertensão e as alterações do colesterol, por exemplo, podem permanecer silenciosas durante anos. Por isso, o acompanhamento médico e a avaliação dos fatores de risco são importantes mesmo para quem se sente saudável”, afirma.
A avaliação deve considerar idade, histórico familiar, hábitos de vida e fatores de risco individuais. “A prevenção começa quando a pessoa conhece seus fatores de risco e passa a acompanhar regularmente indicadores como pressão arterial, colesterol, glicemia e peso. Muitas vezes, esse cuidado antecipado é justamente o que ajuda a evitar um problema no futuro”, explica a especialista.
Além do acompanhamento médico, a prevenção cardiovascular está diretamente relacionada às escolhas incorporadas à rotina. Para a cardiologista, mais importante do que buscar mudanças radicais por períodos curtos é construir hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo.
“Em prevenção cardiovascular, consistência é muito mais importante do que perfeição. O coração se beneficia daquilo que conseguimos sustentar: movimentar-se regularmente, praticar atividade física, não fumar, ter uma alimentação equilibrada, dormir adequadamente e cuidar da saúde metabólica. São escolhas aparentemente pequenas, mas que, repetidas durante anos, podem modificar de forma importante o risco de desenvolver doença cardiovascular”, afirma Dra. Tatiane.
A médica ressalta ainda que a saúde cardiovascular não deve ser analisada de forma isolada. “Hoje não faz mais sentido pensar no coração como um órgão isolado. A saúde cardiovascular está profundamente relacionada ao metabolismo, aos rins, ao cérebro, ao sono, à atividade física e a diversos aspectos do estilo de vida. Dormir mal de forma crônica, ser sedentário, ter uma alimentação inadequada, ganhar excesso de peso e viver sob estresse persistente podem contribuir para alterações de pressão arterial, glicemia, inflamação e outros mecanismos associados ao risco cardiovascular”, explica.
Quando é hora de procurar um cardiologista?
Embora o acompanhamento preventivo seja importante mesmo para quem não apresenta sintomas, alguns sinais não devem ser ignorados. Dor ou pressão no peito, falta de ar, palpitações recorrentes, tontura, desmaios ou redução inexplicada da tolerância aos esforços podem indicar a necessidade de avaliação médica.
A atenção também deve ser maior quando existem fatores que elevam o risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo ou histórico familiar de doenças cardiovasculares. Nesses casos, o acompanhamento ajuda a identificar alterações precocemente e definir quais medidas são necessárias.
“Pressão alta, colesterol elevado e diabetes podem permanecer silenciosos durante muito tempo. A ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de risco. Quando identificamos essas alterações precocemente, podemos intervir antes que ocorram consequências como infarto, AVC, insuficiência cardíaca ou doença renal”, explica a especialista da Afya.
Intervenção medicamentosa também é prevenção Outro ponto importante é que prevenir não significa necessariamente evitar medicamentos a qualquer custo. Dependendo do perfil de risco, mudanças no estilo de vida precisam ser associadas ao tratamento medicamentoso.“O objetivo é não esperar a doença aparecer para começar a cuidar”, conclui Dra. Tatiane.