Há exatos dez anos a Apae de
Limeira deu início a uma Campanha que ocorre anualmente com a intenção de alertar mulheres grávidas para os riscos de ingerir bebidas alcoólicas durante a gestação. No mês de maio a equipe de Ações Preventivas intensifica o alerta. E na semana de 22 a 26, várias ações ocorrem como apresentação de um vídeo, entrega de panfletos. Também orientação e brindes aos colaboradores da entidade, treinamentos e visitas a consultórios médicos para entrega de material de divulgação.
Segundo a coordenadora Luciana Lavoura, gerar uma vida é um momento de prazer, de alegria, mas é acima de tudo um momento sério para a mulher, que exige compromissos e responsabilidades. “Beber durante a gravidez não faz bem para a criança. Isso todo mundo sabe, mas muitas mães ignoram o alerta e continuam consumindo álcool durante a gestação”, diz.
A consequência é que os filhos podem herdar uma série de problemas chamados Efeitos Relacionados ao Álcool-EFA, que podem provocar desde o aborto, ao nascimento prematuro ou até mesmo, mal formações do feto. Ingerir bebida alcoólica durante a gravidez pode ocasionar ainda baixo peso ao nascer e durante o desenvolvimento, alterações no comportamento, como hiperatividade, transtornos de conduta e dificuldades no aprendizado.
A manifestação mais séria é a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que pode causar retardo no crescimento, microcefalia, alterações do sistema nervoso central, deficiência mental e alteração facial. Entre os filhos de mães alcoólatras, estima-se que 30% a 40% dos recém-nascidos venham a apresentar a doença.
Estudos epidemiológicos sugerem haver novas tendências no padrão no uso do álcool entre as mulheres, além do fato de que os efeitos dessa substância no organismo das mulheres são exacerbados em comparação aos homens. Isso ocorre em especial devido à menor quantidade de água presente no organismo das mulheres, o que faz com que o álcool seja distribuído e metabolizado mais rapidamente, e também à menor presença, entre as mulheres, de enzimas hepáticas que metabolizam essa substância. Assim, o impacto causado pelas bebidas alcoólicas no organismo das mulheres é maior do que no organismo masculino.
Luciana lembra que o melhor caminho é sempre a prevenção e cita um alerta feito pela médica Conceição Aparecida de Mattos Ségre, do Grupo de Prevenção dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido da Sociedade de Pediatria de
São Paulo. “Vale lembrar que os efeitos do álcool ocasionados pela ingestão materna de bebidas alcoólicas durante a gestação não têm cura. Por isso, vale a máxima: o quanto antes parar, melhor para o bebê, sua família e a sociedade”, reforça a médica.