Em agosto de 2017, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, de
Limeira, SP, celebrará os 150 anos de sua inauguração, motivo que enche de alegria o coração de todos os cidadãos limeirenses e dos que conhecem este monumental templo, um dos poucos remanescentes intactos do século XIX em nossa cidade.
Com o tema “Boa Morte: uma igreja, várias histórias”, procura-se celebrar os 150 anos do templo não a partir de um viés único e institucional, mas destacando que a história da igreja é composta pelas experiências dos milhares de fiéis e pessoas que por ali passaram e passam, seja para uma breve oração ou para participar das celebrações eucarísticas, dos casamentos, dos batizados ou mesmo das atividades culturais, sejam eles católicos ou não. Além disso, estas atividades programadas celebram também o reconhecimento oficial do templo da Boa Morte como um bem cultural de Limeira, o primeiro em nível municipal, tombado por meio do Decreto Municipal nº 375, de 9 de dezembro de 2016. Este foi sinal da valorização que o povo limeirense credita a esta imponente construção oitocentista, edificada às custas da então Irmandade da Boa Morte, apoiada pelos Barões de Cascalho (José Ferraz de Campos) e de
Campinas (Bento Manoel de Barros), tendo em sua decoração interior uma mescla entre os estilos barroco e neoclássico.
Para celebrar esta tão significativa data, foi criada uma comissão especial pela Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção que preparou um projeto com diversas atividades culturais, ações que serão desenvolvidas durante todo este ano Jubilar de 2017 – e iniciadas nesta sexta-feira, dia 31 de março, com o concerto de abertura em comemoração aos 150 ano da igreja Boa Morte”. Este primeiro concerto será realizado pela Banda Henrique Marques, com a participação da soprano Raíssa Amaral e do tenor Daniel Duarte, das 20h às 21h30.
Em linhas gerais, o objetivo destas ações é aproximar a comunidade de Limeira e região deste espaço de arte, história, memória e cultura, a partir de ações gratuitas em variados segmentos culturais.
Entre as atividades, foram propostos:
• “Concertos do Patrimônio” – realizados desde o ano de 2013, a série 2017 será composta de 12 concertos com grupos musicais de Limeira e região, sempre com entrada gratuita. A programação completa segue em anexo.
• Documentário – produção de um documentário que resgatará grandes momentos da história da igreja, com depoimentos de pessoas que vivenciaram ou que possam relatar esta caminhada de fé, filantropismo e cultura;
• Reabertura do Museu da Boa Morte – montagem de um espaço expositivo permanente na própria igreja, com o objetivo de apresentar a história da igreja à população de Limeira e região, a partir de acervos raros guardado pelo Centro de Documentação e Memória “Bento Manoel de Barros”. O museu se configurará como um intensificador das visitas ao templo, apoiando também o turismo na área central da cidade, compondo, junto com o Espaço Cultural ENGEP e o Palacete Levy, o Complexo Cultural do Largo da Boa Morte;
• Atividades educativas e de formação – inserção da Igreja Boa Morte na I Semana Nacional de Arquivo (atividade de cunho nacional, promovida pelo Arquivo Nacional) e a realização de um concurso cultural em parceria com o Museu Histórico e Pedagógico “Major José Levy Sobrinho”.
As atividades em comemoração aos 150 anos da Igreja Boa Morte serão de extrema valia não somente para a valorização da própria história da igreja e de sua secular confraria, mas também para a difusão de parte importante e imprescindível da história limeirense e para a valorização da cidade de Limeira no campo cultural e turístico.
“CONCERTOS DO PATRIMÔNIO”
Série de música sinfônica e sacra
PROGRAMAÇÃO CULTURAL
MARÇO
31– Concerto de abertura das comemorações dos 150 anos da Igreja da Boa Morte
Dedicado á música instrumental e vocal sacra e secular
Banda Henrique Marques Regência: Fernando Barreto
Solistas
Raíssa Amaral, soprano
Daniel Duarte, tenor
ABRIL
07 – Paixão segundo São João, de Johann Sebastian Bach
Obra sacra baseada no evangelho bíblico, que narra a paixão de Cristo sob o olhar de São João apóstolo
Orquestra Barroca do Departamento de Música da UNICAMP
Regência: Carlos Fiorini
Coro Contemporâneo de Campinas
Coro: Angelo Fernandes
Solistas
Evangelista – Samuel Valli, tenor
Jesus – Virgilio Solli, baixo
Pilatos – Raphael Domeniche, baixo
Pedro – Leandro Cavini, baixo
Soprano – Luiza Miana
Contralto – Rafaela Haddad
Tenor e Servus – Bruno Arrabal
14 – Al Santo Sepolcro, de Antônio Vivaldi
Sinfonia orquestral que retrata o santo sepulcro, local onde Cristo repousou antes da ressurreição
Orquestra Sinfônica de Rio Claro
Regência: André Müzel
Antônio Vivaldi, Concerto em Dó menor para violoncelo e orquestra
Solista: William Teixeira, violoncelo
MAIO
26 – Noah’s Ark, de Bert Appermont
Poema sinfônico baseado na missão de Noé e sua família
Banda Henrique Marques
Regência: Fernando Barreto
Sauro Berti, Spotlights para Clarone e banda sinfônica
Solista: Mário Marques, clarone
JUNHO
30 – Música de Câmera instrumental
Camerata da Orquestra Sinfônica de Limeira
Regência: Rodrigo Müller
JULHO
28 – Rock & Pop Sinfônico
Das imortais banda de pop & rock mundial até a nova geração da música pop
Banda Henrique Marques
Regência: Fernando Barreto
AGOSTO
25 – Broadway & Hollywood
Filmes, musicais e animações inesquecíveis
Banda Henrique Marques
Regente convidado: André Müzel
SETEMBRO
29 – Música vocal à capela
Dedicado á música sacra e a sua expressão na música secular até os dias atuais
Coro Contemporâneo de Campinas
Regência: Angelo Fernandes
OUTUBRO
20 – Virtuosi, jovens solistas
Obras que desafiam o talento e a técnica de jovens instrumentistas da nossa região
Banda Henrique Marques
Regência: Fernando Barreto
Convidados: jovens solistas do estado de
São Paulo
NOVEMBRO
07 – A Criação, de Joseph Haydn
Oratório sacro que narra a criação do mundo através da visão de 3 anjos, Adão e Eva.
Orquestra Barroca do Departamento de Música da UNICAMP
Regência: Carlos Fiorini
Coro Contemporâneo de Campinas
Coro: Angelo Fernandes
DEZEMBRO
1 - Missa Lord Nelson, de Joseph Haydn
Obras que inspiram e exaltam o espírito natalino
Orquestra Sinfônica da UNICAMP e Coro Contemporâneo de Campinas
Regência: Angelo Fernandes
15 - Grande concerto de Natal
Encerramento das comemorações dos 150 anos da Igreja Boa Morte
Banda Henrique Marques, solistas e coros da cidade de Limeira
Regência: Fernando Barreto
Histórico da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção
Foi construída entre 1858 e 1867 pela Irmandade da Boa Morte, fundada em 1856, e pelo Barão de Cascalho - José Ferraz Campos (1782-1869), e Barão de Campinas - Bento Manoel de Barros (1791-1873). O último trouxe da Itália o arquiteto Aurélio Civatti (1837-1917), responsável pelo término da obra, entalhes, douramentos e demais obras de decoração. Inclusive com os sinos das torres, gastando, na época, cerca de 300 contos de réis.
O templo é feito em taipa de pilão, realizada por mão-de-obra escrava, seguindo o estilo barroco, repleto de talhas douradas e pinturas, porém já com elementos neoclássicos em sua fatura.
Possui sinos, paramentos, pratarias e imagens vindos diretamente de Portugal, a mando do Barão de Campinas. A importância e atuação da irmandade foi tanta que, em vinte de fevereiro de 1869, a Nunciatura Apostólica elevou-a, em nome do papa Pio IX, à Confraria. Em 1886, a igreja recebeu a visita do imperador Dom Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina, quando de sua passagem por Limeira.
A igreja serviu de hospital durante os surtos de febre amarela (1892-1895), bexiga (1905), febre espanhola (1918). No ano de 1917, a igreja foi dotada de uma escola primária de ensino laico e religioso, a Escola Mista de Nossa Senhora da Assunção, sediada no andar superior das dependências do templo, com alunos provenientes das mais diversas camadas sociais, sendo que muitos deles estudavam gratuitamente até os anos de 1940.
Por duas vezes tornou-se sede da Paróquia, servindo como Matriz Provisória entre os anos de 1870 e 1876 e de 1949 a 1971, períodos estes em que a igreja de Nossa Senhora das Dores havia sido demolida e reconstruída. Suas sucessivas pinturas internas foram feitas por Joaquim Miguel Dutra (1864-1930), Luiz Favaro, Angelo Perillo e Tertuliano Pazelli.