A Prefeitura de
Limeira e o Ceprosom (Centro de Promoção Social Municipal) disponibilizaram nesta segunda-feira, 20 de junho, o primeiro "Botão do Pânico", para uma mulher vítima de violência doméstica. A entrega ocorreu no Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) após o cadastro. A partir de agora, a vítima passa a receber atendimento psicossocial na unidade com objetivo do resgate da autonomia.
De acordo com Simone Nogueira Reato Ponzo, chefe de Divisão da Proteção Social Especial, o trabalho agora consiste em manter o fortalecimento pessoal para que a mulher agredida possa encontrar novos caminhos e relações mais saudáveis. "O atendimento vem complementar as ações técnicas de proteções a mulher que sofre violência doméstica. O trabalho é para superar essa condição de vítima", salienta.
O dispositivo foi entregue com autorização da justiça e atende solicitação da delegada Andréa Paula Arnost Hachid Pavan, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Limeira.
O dispositivo, ao ser acionado emite sinal de alerta para a sede da Guarda Civil Municipal, que imediatamente enviará viaturas para o atendimento à vítima. O equipamento grava conversas num raio de até cinco metros e serve de apoio e proteção às mulheres sob ameaça de agressão e risco de morte. Limeira é a primeira cidade do Estado de
São Paulo a implementar essa tecnologia.
O Botão do Pânico, tecnicamente chamado de "Programa Priscila Munhoz", é um serviço oferecido pela Rede Elza Tank de Atendimento Integrado à Mulher em Situação de Violência, trabalho que será desenvolvido de forma intersetorial pela GCM (Guarda Civil Municipal) e Polícia Militar. Neste primeiro momento, a atribuição caberá à GCM. O Ceprosom disponibilizará psicólogos e assistentes sociais para o acompanhamento dos casos. O equipamento só é disponibilizado com autorização da Justiça às mulheres que já estejam sob medida protetiva.
O dispositivo é formado por um aparelho semelhante a um controle remoto de portão eletrônico, com chip e bateria, que ao ser acionado emite um sinal para um smartphone com a foto do suspeito e o endereço da vítima.
Ana Maria Sampaio, presidente do Ceprosom, avaliou como importante o apoio à vítima nesse momento. "Essa é uma ação que tem a intenção de disponibilizar o nosso trabalho de proteção social às vítimas atendidas nos nossos serviços", disse.
Caso Priscila Munhoz
O nome do equipamento é uma homenagem a uma das mulheres vítimas de violência doméstica. Aos 26 anos, Priscila Munhoz foi morta com um tiro na cabeça em uma loja do Centro de Limeira em 22 de outubro de 2013. Ela já vinha sofrendo ameaças e registrou boletim de ocorrência um mês antes do crime.
Números da violência contra a mulher
Dados da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) mostram que em 2015 em Limeira foram registrados 1.360 inquéritos policiais de mulheres vítimas de violência doméstica. Foram encaminhados à Justiça 409 pedidos de medidas protetivas. Este ano, até maio, foram 280 pedidos de proteção às vítimas. Houve o registro de um homicídio contra mulher em 2015 e um em 2016. Foram registrados 101 estupros no município em 2015 e 34 casos de janeiro até maio.