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 Cápsula do tempo de 1933 é procurada em Cordeirópolis, por Denis Suidedos - Portal Cordero Virtual

Cápsula do tempo de 1933 é procurada em Cordeirópolis, por Denis Suidedos

A cápsula está localizada na casa Paroquial da Igreja Matriz de Cordeirópolis

04/05/2016 18:04:50
Passei há pouco na Praça Comendador Jamil Abrahão Saad, na casa Paroquial, que será derrubada provavelmente amanhã, aonde será, a princípio, asfaltado o terreno para, posteriormente, construir o salão.

Aproveitei para tirar algumas fotos para registro, mas também para saber sobre a cápsula do tempo, escrita pela ex-prefeito Jamil Abrahão Saad, em 1933, enterrada neste terreno. O local ainda é incerto, pois existem várias versões.

Nas fotos, em frente à porta, o Padre Valdinei aponta um dos possíveis locais. Depois, no fundo da casa, outra opção. O fato é que o documento existe e tive, na hora do almoço, acesso a cópia dele, que por muito tempo ficou nas mãos da Dona Bete, filha do Comendador Jamil.

Em vida, ela entregou uma cópia ao Paulo Cobra que, gentilmente, me cedeu e transcrevo, abaixo, o conteúdo dela:

"Discurso pronunciado no acto da colocação da pedra fundamental do prédio da Liga Catholica Jesus, Maria, José.

A vocês, da posteridade.

A vocês que terão a sublime ventura de abrir esta caixa, e saber o que fomos neste presente que lhes é uma antiguidade.

A vocês dirijo umas linhas breves e mal traçadas.

Estamos em 1933, são trinta e três anos primeiros de um século que começou agitado e tenebroso.

Escutem: Nós estamos aqui numa época infelicíssima, em que a integridade do povo que habita o mundo da terra está ameaçada por uma degeneração provocada por elementos ineptos e néscios, que perderam a rotina de si, avacalhados diante das suas mesquinhices intelectuais, querendo dominar o patrimônio honesto e progressivo da pátria deste Brasil imenso, invejável e poderoso.

Querem afogar no pelágio turbilhão do nada a honra, o lar e o pudor, esses parricidas tentam numa ameaça aviltante arrastar tudo para junto deles, as portas da ignomínia.

São os refratários do pudor e do patrimônio alheio, que pretendem contagiar a tudo e a todos ao pó das sarjetas.

Mas em combate franco e leal, nós os levamos numa derrocada funesta. Pressentindo o preludio combativo e evitável de uma desgraça, em todos os cantos civilizados, constroem não só prédios para resguardar deste mal, como infiltrando nos corações, nas almas, os sentimentos da religião e da fé, e desenvolvendo a mentalidade do povo ordeiro e honesto.

A nação, antes atribulada, está entrando para um regime de paz e felicidade, que vocês já devem estar gozando, como reconhecido prêmio aos nossos esforços.

Reparem: sobre esta pedra foi construída uma casa.

A casa do bem.

Esta casa ergueu-se, foi somente para implantar a harmonia e a integridade da raça, de que vocês são os puros descendentes.

Uma obra modesta, mas sublime.

Uma obra pobre no feitio, mas rica de nobres intenções, é o abrigo contra o mal, é a casa gloriosa do bem.

Reparem! É uma indelével amostra de um povo cívico, de um povo cheio de religião, de fé, de um povo ardentemente católico.

Vocês que estarão gozando a vitória modesta da religião católica, lembrem-se sempre ao mirar para este passado, que só com fé em Deus, tudo consegue e se termina.

Reparem! E veja bem que isto conseguiu-se para a glória dessa Vila, Santo Antônio dos Cordeiros, porque dedilhou as mãos abençoadas de um padre simplesmente admirável.

Ele é o Padre João Lopes de Almeida, soldado de Cristo, mil vezes dignos das bênçãos dos céus, pois comanda seu rebanho de fiéis, implantando a esperança, a fé, a glória, a religião sublime de Cristo. Ele tem um coração magnânimo, ele é a adoração de seu povo.

Descubram-se vocês da posteridade, porque nós aqui já nós descobrimos na mais justa referência a esse digno e infatigável apóstolo do bem. É uma homenagem justa e sincera que vocês devem imitá-la.

Eu nesta distância que certamente nos separará, vos saúdo, desejando-lhes que a vida lhes seja um primor de vivê-la, e que a terra seja um jardim florido e perfumado.

Deus estará com vocês, que não o abandonem e nem o deixem abandonado.

Mais uma vez, saúdo.

Santo Antônio dos Cordeiros, aos dezenove dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e trinta e três,

Jamil Abrahão Saad".

Na época, Jamil, nascido em 1911, no dia 23 de julho, tinha apenas 21 anos, ou seja, ainda não era prefeito. Agora, sinceramente, lendo o que ele escreveu há quase 100 anos, não parece que a carta foi feita para os dias de hoje?

Segundo seu filho, Elias Abrahão Saad, sua família, libanesa, quando veio para o Brasil, mesmo com lideranças muçulmanas daquele País, era extremamente cristã, levantando a bandeira católica por qualquer lugar que fosse, inclusive aqui, em Cordeirópolis.

Da pra imaginar o valor histórico desta carta?

Denis Suidedos

Foto(s): Denis Suidedos
Fonte: Denis Suidedos

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