Limeira iniciou nesta quarta-feira, 27 de abril, a capacitação de servidores públicos para utilização do "Botão do Panico" em mulheres vítimas da violência. A cidade é pioneira na implantação do sistema no Estado de
São Paulo. Os dispositivos foram apresentados no auditório do Ceprosom (Centro de Promoção Social Municipal).
A entrega ocorreu com a presença de autoridades e representantes do Instituto Nacional de Tecnologia Preventiva (INTPSA), empresa vencedora da licitação.
Conhecido por "Botão do Pânico", o dispositivo é formado por um aparelho de uso pessoal, com chip e bateria, que ao ser acionado emite um sinal para um smartphone por meio de um programa ligado a internet. O programa funciona em caráter preventivo e visa agilizar o atendimento a ocorrência, não garantindo segurança ao usuário.
O aparelho será entregue às mulheres vítimas de violência doméstica que estejam amparadas por medida protetiva determinada pela justiça. "A vítima da violência ao perceber a aproximação do agressor vai acionar o botão e emitir um alerta de perigo. Imediatamente o aparelho passa a gravar a conversa num raio de até cinco metros. A mensagem será transmitida para o Centro de Operações da Guarda Civil Municipal (COP), que enviará imediatamente uma viatura para o local", disse a diretora administrativa da empresa, Rosângela Nielsen.
O aparelho emitirá também a foto do agressor para possível identificação dos agentes. A gravação da conversa e os detalhes da ocorrência serão usados no inquérito policial , enviados para a justiça. O Ceprosom vai disponibilizar psicólogos e assistentes sociais para o acompanhamento dos casos.
O sistema funciona desde 2013 na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. Em três anos de operação ele foi acionado apenas 24 vezes. "Em um dos casos a polícia chegou em três minutos para socorrer a vítima", revelou Rosângela.
O "Botão do Pânico" é um serviço oferecido pela Rede Elza Tank de Atendimento Integrado à Mulher em Situação de Violência. O trabalho será desenvolvido de forma intersetorial e contará com o atendimento da ocorrência pela GCM (Guarda Civil Municipal) e Polícia Militar. Neste primeiro momento, a atribuição caberá da GCM.
O funcionamento do programa foi apresentado ao prefeito Paulo Hadich, a delegada Andréa Paula Hachid Arnosti, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a vereadora Erika Tank e outros convidados. Neste primeiro momento, funcionários do Ceprosom e Guarda Civil Municipal serão qualificados para implementar o sistema no município. O Ceprosom cuidará também da distribuição dos equipamentos a partir de ordem judicial.
O prefeito Paulo Hadich destacou a novidade para o município e espera bons resultados. "Somos a primeira cidade do estado a ter uma rede fechada. Se conseguirmos salvar uma única vida, já será o suficiente", afirmou
A vereadora Erica Tank conta que esta é uma nova fase que traz esperança às mulheres vítimas de violência. "É um meio de emponderamento para elas levarem suas vidas, quebrando o ciclo de violência", disse.
A delegada afirma que a implementação do equipamento será uma forma de trazer mais segurança para o município. "Tudo que vem para somar e fortalecer é um avanço para a proteção das mulheres", relatou.
O "Botão do Pânico" já funciona nas cidades de Jaboatão dos Guararapes, no estado do Pernambuco e Serra, no Espírito Santo.
"É uma sensação de voltar a ter a vida que elas tinham. Depois do equipamento, nenhuma mulher voltou a ser agredida", destacou Rosângela.