A secretaria da Saúde de
Limeira e o Ceprosom (Centro de Promoção Social Municipal) realizaram na manhã desta segunda-feira, 29 de fevereiro, uma capacitação com o tema “Atendimento da mulher vítima da violência sexual”. O evento ocorreu no Teatro Nair Bello, localizado no Parque Cidade e contou com a participação de 170 pessoas.
A iniciativa faz parte da Rede “Elza Tank” de Atendimento Integrado à Mulher em Situação de Violência, com o objetivo de fornecer informações aos servidores públicos e membros que trabalharão de forma intersetorial, para prestar serviço com qualidade. Prestigiaram o evento a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade de Limeira, Deise Hadich, a presidente do Ceprosom, Ana Maria Sampaio, a vereadora Erika Tank e o secretário de Saúde, Luiz Antônio da Silva.
Durante o evento o palestrante Carlos Tadayuki Oshikat, consultor do projeto “Superando Barreiras” do Cemicamp (Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de
Campinas) – Ministério da Saúde e membro do Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas (Unicamp), abordou os conceitos de violência sexual; Tipologia e políticas públicas; Atendimento às mulheres vítimas de violência sexual: protocolos de atendimentos e aspectos atuais do atendimento; Aspectos éticos e legais do atendimento da violência; Interrupção legal da gravidez.
Segundo Oshikat, uma das principais dificuldades detectadas em relação às condições de funcionamento dos serviços à mulher é o isolamento de programas e serviços do hospital, onde a responsabilidade se dá a apenas um profissional, causando fragilidade a serviços de urgência.
Aspectos éticos também foram mencionados em casos de violência sexual, como acolhimento humanizado, sigilo absoluto, julgamento de valores e contatos físicos desnecessários.
O palestrante mostrou que no Brasil encontra-se em atividade 567 Serviços de Saúde para atendimento da violência sexual, 402 serviços de saúde para atendimento da violência doméstica e 65 serviços especializados de saúde para atendimentos de procedimentos relacionados à violência sexual, previstos em lei. Os estados com maior taxa de estupro no país são: Roraima, Rondônia e Santa Catarina e com menores taxas: Paraíba, Rio Grande do Norte e Minas Gerais.
De acordo com Deise Hadich, capacitar os servidores aproxima os diversos serviços e atendimentos prestados à mulher. “Eu acredito muito no benefício que essa capacitação trará. Qualifica no sentido do atendimento por meio da união das secretarias”, declarou.
Carlos Oshikata afirma que a palestra visa mostrar que a mulher tem total apoio a qualquer tipo de violência e que a partir do momento que ela souber de serviços que poderão atendê-la, perderá a vergonha e a população dará todo o auxílio. “A população deve apoiar o atendimento a todas as mulheres em situação de violência”, relatou.
Ana Maria Sampaio comentou a importância dessas orientações e destacou que elas poderão trazer mudanças significativas. “Hoje é um passo a mais em defesa da mulher. Vamos fortalecer o atendimento”, afirmou.
A chefe de Divisão da Proteção Social Especial do Ceprosom, Joice Campos Toniato, relatou que é importante a preparação de servidores e parceiros para atendimento emergencial as vítimas de violência sexual. “O trabalho em rede é fundamental. Todos os servidores devem estar prontos, principalmente no caso de uma violência”, disse.
Erika Tank afirmou que o atendimento a mulher vítima de violência sexual é prioridade na rede pública. “Não depende só da procura da mulher. Temos que oferecer esses serviços”, conta.
A Rede Elza Tank pretende melhorar os atendimentos, com a ideia de integrar, humanizar, agregar, articular e proteger o acesso da mulher vitimizada aos seus direitos e ações de forma contínua. Sejam elas periciais, psicossociais e clínicas, além de capacitar profissionais para o atendimento adequado a essas pessoas.