Imóveis especiais, com grande circulação de pessoas, começam a receber nesta semana as armadilhas que irão capturar os ovos, as larvas e o Aedes aegypti. Os locais secionados inicialmente são o Edifício Prada, Parque Cidade de
Limeira, prédios da área central e Ceprosom. Os equipamentos foram confeccionados pelos reeducandos do Centro de Ressocialização de Limeira, com o aval do diretor da unidade, José Paulo da Silva, e do juiz da 2ª Vara Criminal e corregedor de presídios, Luiz Augusto Barrichello Neto.
De acordo com o responsável pelo Comitê de Prevenção e Controle de Dengue, Alexandre Ferrari, esta é mais uma ferramenta de controle e monitoramento da população do mosquito Aedes aegypti. “Nós passamos a ter uma análise mais proativa, não apenas reativa, quando as ações são planejadas a partir de quantidade de suspeitas da doença”, disse. Ferrari ressalta que continua sendo de fundamental importância a participação da população na eliminação de criadouros, por meio de ações que tomam cerca de 10 minutos por semana.
O próximo passo será a instalação das armadilhas em áreas com índice larvário elevado. “Usaremos as informações da Análise de Índice Larvário, que estarão disponíveis até o final deste mês”, afirma Ferrari. Ainda segundo ele, após a definição dos bairros, podem receber os equipamentos locais como igrejas, centros comunitários, e até mesmo residências, dependendo da situação identificada.
Histórico
A armadilha foi desenvolvida durante a tese de doutorado das pesquisadoras Rosângela Barbosa e Morgana Xavier, da Fiocruz Pernambuco, e vem obtendo resultados significativos. As idealizadoras do projeto irão acompanhar os resultados como parte do trabalho de pesquisa.
O equipamento, batizado de BR-OVT, consiste em uma caixa preta, com um reservatório para dois litros de água, onde é colocado o larvicida biológico Bacillus thuringiensis israelensis (Bti). Esse reservatório é forrado com um véu para reter os ovos e as larvas do mosquito. “O ovo será depositado na água, mas não vai conseguir desenvolver-se até a fase adulta ou alada”, comentou Ferrari.
Além disso, a borda da armadilha é adesiva, possuindo uma cola entomológica para reter os insetos adultos. Conforme a Fiocruz, o dispositivo reproduz as condições de uma fossa escura e com matéria orgânica, mas sem odor. Desta forma, as fêmeas do mosquito são atraídas para depositar seus ovos. O dispositivo será monitorado num prazo de até dois meses, quando os técnicos do CCZ substituirão o interior da armadilha e levarão a parte adesivada para análise.
Centro de Ressocialização
Os reeducandos e funcionários do Centro de Ressocialização de Limeira (CR) passaram por capacitação para a confecção das armadilhas na última semana. Na oportunidade, eles também receberam orientações gerais sobre a dengue. Para Ferrari, esse processo é importante para que eles entendam o contexto social e a importância do trabalho que estão realizando. O treinamento recebido foi aplicado na prática nas dependências do CR, por meio de uma vistoria para eliminação de criadouros.