A província chinesa de Anhui, de forte produção agrícola, está interessada em firmar acordos com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de
São Paulo para levar as tecnologias paulistas ao país asiático. O primeiro passo já foi dado neste mês de dezembro, com duas visitas à Pasta da delegação de técnicos e pesquisadores da província de quase 65 milhões de habitantes.
Após conhecer os serviços da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp), o grupo chinês foi recebido pelo assessor de Relações Internacionais, Alberto Amorim, e pelos vice-diretores dos institutos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).
“Não é uma simples missão comercial para comprar produtos, eles querem comprar conhecimento”, explicou Amorim, adicionando que já foram criadas com esses dois encontros as condições para que os acordos sejam firmados. Um dos principais interesses dos chineses são as inovações relativas à produção de alimentos, desafio crescente no país de 1,3 bilhão de habitantes, o mais populoso do mundo.
Com a poluição como um dos maiores problemas a serem enfrentados, a China também se mostrou atenta às iniciativas da Secretaria com o etanol, energia renovável que pode reduzir em até 90% as emissões de gases que causam o efeito estufa. “O Estado de São Paulo é internacionalmente conhecido neste quesito de energia limpa”, apontou Amorim.
São conhecimentos que garantem preservação do meio ambiente, agregam valor à produção e geram lucros como as Mudas Pré-Brotadas (MPB) de cana-de-açúcar, desenvolvidas pelo Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), de
Campinas. A cultura canavieira é um dos principais focos chineses, já que pode ser desdobrada tanto em alimento (açúcar) quanto em energia (etanol).
Outra tecnologia visada pelos chineses, também de olho na recuperação ambiental, é a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), já realizada pelo Instituto de Zootecnia (IZ). A conservação do solo e da água trazida pelo Programa Melhor Caminho também já tinha chamado a atenção do grupo.
Em 2015, as tecnologias da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo também despertaram o interesse de El Salvador, Itália, México, Ilhas Fiji, Estados Unidos e Reino Unido. Uma atenção que destaca o território paulista como referência mundial na produção de conhecimento para o campo.