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 Prefeitura de Limeira usará armadilha para controle do mosquito da dengue - Portal Cordero Virtual

Prefeitura de Limeira usará armadilha para controle do mosquito da dengue

A preparação das armadilhas tem o aval do diretor da unidade, José Paulo da Silva, e do juiz da 2ª Vara Criminal e corregedor de presídios, Luiz Augusto Barrichello Neto

28/12/2015 02:00:02
A Prefeitura de Limeira irá usar uma nova ferramenta para controle e monitoramento da dengue. Trata-se de uma armadilha que irá capturar os ovos, as larvas e do Aedes aegypti, transmissor da doença. O anúncio ocorreu na tarde desta quarta-feira, 23 de dezembro, na sede do Centro de Ressocialização (CR) de Limeira, que estabeleceu uma parceria com a prefeitura para montar as armadilhas.

Inicialmente, 15 reeducandos trabalharão na montagem de 100 a 300 dispositivos. A preparação das armadilhas tem o aval do diretor da unidade, José Paulo da Silva, e do juiz da 2ª Vara Criminal e corregedor de presídios, Luiz Augusto Barrichello Neto. 

Posteriormente, as armadilhas serão colocadas por técnicos do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) em locais considerados 'especiais' para controle da dengue, por conter grande circulação de pessoas e potencial para abrigar os vetores da dengue. Parta delas também será instalada em residências com relevância técnica determinadas pelo CCZ.

Segundo o diretor de Vigilância em Saúde e um dos coordenadores do Comitê de Prevenção e Controle de Dengue em Limeira, Alexandre Ferrari, o objetivo do uso da ferramenta em Limeira é monitorar a infestação de Aedes na cidade. “Com isso, podemos melhorar a tomada de decisões para as ações de controle e bloqueio”, falou. Ele ressaltou, ainda, o caráter de pró-atividade do dispositivo, pois antes da notificação de um caso suspeito, o CCZ atuará para eliminar os criadouros. 

A armadilha foi desenvolvida durante a tese de doutorado de duas pesquisadoras da Fiocruz Pernambuco e vem obtendo resultados significativos. As pesquisadoras Rosângela Barbosa e Morgana Xavier, idealizadoras da pesquisa, já deram o aval para Limeira produzir a armadilha. Em troca, elas irão acompanhar os resultados como parte do trabalho de pesquisa.

O equipamento, batizado de BR-OVT, consiste em uma caixa preta, com um reservatório para dois litros de água, onde é colocado o larvicida biológico Bacillus thuringiensis israelensis (Bti). Esse reservatório é forrado com um véu para reter os ovos e as larvas do mosquito. “O ovo será depositado na água, mas não vai conseguir desenvolver-se até a fase adulta ou alada”, comentou Ferrari.

Além disso, a borda da armadilha é adesiva, possuindo uma cola entomológica para reter os insetos adultos. Conforme a Fiocruz, o dispositivo reproduz as condições de uma fossa escura e com matéria orgânica, mas sem odor. Desta forma, as fêmeas do mosquito são atraídas para depositar seus ovos. O dispositivo será monitorado num prazo de até dois meses, quando os técnicos do CCZ substituirão o interior da armadilha e levarão a parte adesivada para análise. 

De acordo com Ferrari, apesar de simples, a armadilha possui resultados científicos positivos. No teste piloto, realizado no arquipélago africano de Cabo Verde, foram coletados 27,4 mil ovos de Aedes e 420 mosquitos. Outro estudo, iniciado em agosto de 2014 em Olinda (PE), já retirou do ambiente 78.719 ovos de Aedes e eliminou 754 mosquitos adultos. “E não há custos comerciais ou de patentes”, citou o diretor.

O diretor da Vigilância em Saúde alerta ainda para que as armadilhas não sejam feitas de forma caseira. “Os equipamentos possuem um método científico especial, além de conter larvicida e cola entomológica. Iremos treinar ainda nossos agentes para fazer todo o monitoramento, contribuindo com a coleta de dados e embasando ainda mais a pesquisa”. Esse trabalho contará ainda com o acompanhamento da bióloga Kátia Resende Netto Cirelli, doutora em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos e assessora executiva da Secretaria de Gestão Estratégica. 
Segundo a coordenadora do CCZ, Pedrina Aparecida Rodrigues Costa, a população deve intensificar o trabalho de prevenção à dengue, vistoriando a própria casa pelo menos uma vez por semana, durante dez minutos. “Não podemos deixar o mosquito nascer”, reforçou.

Também estiveram presentes ao anúncio, o ouvidor da prefeitura Rafael Martinati, e as representantes da Secretaria de Saúde, Marina Cristiane Archangelo e Ana Carolina da Silva Braz, respectivamente, diretora do Departamento de Gestão Administrativa e coordenadora da Atenção Básica.

Foto(s): Adilson Silveira
Fonte: Prefeitura de Limeira

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