Altas temperaturas e má distribuição das chuvas são algumas das consequências que serão causadas pelo Super El Niño entre o final de 2015 e o início de 2016, preveem estudos de agências de meteorologia mundiais. O fenômeno, segundo Luciana Savoi Rossi, coordenadora do curso de Engenharia Ambiental do ISCA Faculdades, de
Limeira, é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa da América do Sul e deverá ser mais intenso neste ano.
“O Brasil vai sofrer bastante com os efeitos do Super El Niño, com consequências diretas no clima, influenciando o regime de chuvas e as médias de temperaturas, que serão muito altas neste verão”, adianta Luciana. “Estes efeitos já têm sido sentidos, com as chuvas muito intensas no sul do país e as secas na região centro-sul e sudeste”.
No mundo, prossegue a engenheira, o El Niño trará chuvas para Argentina, Califórnia, Índia, Paquistão e leste africano, e secas e incêndios florestais na Indonésia, entre outras consequências. “Especialistas têm apontado que 2015 pode ser o ano mais quente da história”, lembra Luciana. Ela explica que, desde a Revolução Industrial e suas intervenções com intenso impacto ambiental, os eventos climáticos extremos têm se intensificado.
“O Brasil não é um dos piores países na emissão dos gases de efeito estufa, mas a intensidade e o aceleramento dos desmatamentos têm, sim, colaborado com os eventos climáticos extremos”, destaca. “Investimentos em prevenção são necessários”.
ÁGUA
A coordenadora aponta que a regularidade no regime de chuvas no Brasil só deve ser retomada entre 2016 e 2017. Por isso, a população deve continuar se preocupando em utilizar a água de maneira consciente. “Alguns investimentos foram feitos desde que a crise hídrica chegou ao conhecimento da população, em 2013, mas o mau uso do recurso deve ser evitado por todos, independentemente da época”, analisa Luciana. “A boa notícia é que o setor industrial tem feito sua parte”.
A engenheira ressalta que as chuvas de verão passam uma falsa sensação de abundância de água. “Tempestades de verão não resolvem o problema”, acrescenta. “Por isso, cada um deve continuar fazendo sua parte, evitando desperdícios de água com medidas como o monitoramento de sua casa para evitar vazamentos, por exemplo”.