Com o dobro de mortalidade em relação aos homens, as doenças cardíacas em mulheres foi um dos temas do simpósio realizado sábado em
Limeira pela Sociedade de Cardiologia do Estado de
São Paulo (Socesp), por meio da unidade regional de Araras.
De acordo com o cardiologista José Antonio Franchini Ramires, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), enquanto o índice de óbitos entre os pacientes enfartados do sexo masculino é de 7%, nas mulheres é de 14%. Essa diferença ainda demanda muitas pesquisas na área, mas um dos motivos já associados à mortalidade maior no sexo feminino é perda da proteção hormonal devido ao climatério.
Além da menopausa, fatores de risco que no passado eram mais restritos aos homens hoje são presentes e até mais frequentes no sexo feminino, como tabagismo por exemplo. No início da década de 90, a cada dez homens enfartados, uma mulher era vítima da doença coronariana. Hoje, para cada três pacientes do sexo masculino, há uma mulher. “Essas estatísticas, as mudanças dos papeis das mulheres e as suas características em relação aos sintomas precisam ser estudadas e levadas mais a sério. É preciso valorizar os sintomas”, afirmou aos médicos e residentes. O especialista defendeu o diálogo cada vez mais próximo entre cardiologista e ginecologista.
Já a cardiologista Danielle Gualandro, professora da USP e diretora do Instituto do Coração (Incor), abordou a importância da avaliação cardíaca pré-operatória. “Essa avaliação não consiste simplesmente em liberar ou não o paciente para a cirurgia”, afirma. Além da análise dos riscos e do histórico do paciente, 80% da discussão neste processo é multidisciplinar. “É um time mesmo”, acrescentou.
Ela também reforçou que, com o crescimento do número de cirurgias não cardíacas, é fundamental o aprimoramento das avaliações cardíacas para esse tipo de intervenção, daí a importância de palestras com essa temática.
A qualificação dos profissionais de saúde é uma das bandeiras do presidente da Socesp na região, o cardiologista José Joaquim Raposo Filho. Ele encerrará neste ano a sua atuação a frente da entidade, que promoveu oito simpósios desde 2014 e reuniu mais de 350 participantes. “Tantos os avanços da medicina quanto as mudanças de comportamento dos pacientes e os novos estilos de vida exigem qualificação médica permanente. Por isso, a importância da realização desses encontros, que trouxeram para Limeira grandes profissionais e professores na área de cardiologia”, finalizou.
Em Limeira, quase um terço dos óbitos registrados em 2014 foi provocado por doenças cardiovasculares. Dados da Vigilância Epidemiológica apontam que, das 1.874 mortes, 604 (32%) foram causadas por problemas no aparelho circulatório, sendo o infarto o mais frequente.