O Hemocentro da Unicamp e a Prefeitura de
Limeira realizaram nesta sexta-feira, 18 de setembro, uma ação de cadastramento de potenciais doadores de medula óssea. A iniciativa ocorreu na sede social da Igreja Bom Jesus e terminou com um saldo positivo: 190 pessoas cadastradas, entre elas, servidores do Executivo, do Legislativo, da Polícia Militar e populares interessados em ajudar o próximo. Paralelamente, foi realizado o cadastro de doadores de sangue. Das 68 pessoas que se inscreveram, 41 foram aprovados e já procederam a coleta de sangue no próprio local.
Para executar o cadastramento, foi mobilizada uma equipe de aproximadamente 40 profissionais, metade deles da prefeitura. A campanha de doadores esteve em Limeira atendendo o pedido de Danilo Alves da Rocha Oliveira, de 25 anos, que perdeu a esposa, Jéssica Prado, há 8 meses, em razão da leucemia. Segundo Danilo, não foi possível encontrar um doador compatível para a esposa, no entanto, ele resolveu aderir a campanha ao verificar no hospital muitos pacientes com câncer. “As pessoas são solidárias e querem ajudar”, afirmou.
Antes de fazer o cadastro, os doadores assistiram a uma palestra com explicações a respeito de todo o procedimento. Em seguida, foi necessário preencher um formulário com dados pessoais e assinar um termo de consentimento de doação. Caso não houvesse nenhum tipo de impedimento, como ausência de doença infecciosa ou incapacitante, a coleta de sangue era realizada.
As amostras de sangue coletadas hoje, 10 ml de cada pessoa, serão examinadas para identificação das características genéticas do doador. O resultado dos exames e os dados pessoais dos doadores serão posteriormente incluídos no Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), ligado ao Ministério da Saúde. Até o momento, o Redome contabiliza mais de 3 milhões de pessoas cadastradas.
De acordo com a assistente social da Captação de Doadores de Sangue do Hemocentro, Roberta Aparecida dos
Santos, o cadastro é apenas uma primeira etapa. Para que o processo seja concluído, é necessário o cruzamento dos dados genéticos de doadores e pacientes. Caso seja compatível num primeiro momento, o doador será convocado pelo Hemocentro para realizar novos exames. Se a compatibilidade for confirmada, a pessoa cadastrada será convidada a fazer a doação da medula.
Nessa fase, segundo Roberta, muitas pessoas acabam desistindo da doação, por esse motivo, ela conta que o Hemocentro procura fornecer todas as informações antes de coletar a amostra de sangue.
Há duas formas de doação da medula, o procedimento mais comum é a punção da medula no osso da bacia, que requer a internação do doador e anestesia em centro cirúrgico. O doador, conforme Roberta, retorna as suas atividades habituais uma semana após a doação. No segundo caso, o doador toma um medicamento que faz com que a célula da medula migre do osso para a corrente sanguínea, possibilitando que sejam retiradas pelas veias do braço.
Para Celso Ribeiro da Silva Júnior, de 22 anos, o evento foi uma boa oportunidade para participar da campanha. “Já sou doador de sangue e há algum tempo queria ser também um doador de medula. Minha intenção é ajudar as pessoas que estão passando por momentos difíceis”, relatou. Outra doadora, Aline Pedroni Miranda, de 24 anos, disse que acompanhou o caso de uma paciente com leucemia e resolveu colaborar. “Sempre procuro ajudar as pessoas”, frisou.
Sobre a Medula
A medula óssea é um tecido líquido que fica no interior dos ossos, conhecida popularmente como 'tutano'. Nela são produzidos os componentes do sangue, as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. O transplante é a substituição da medula óssea doente por uma saudável. Com isso, o organismo do paciente transplantado passa a produzir novas células de medula óssea e de sangue. Para quem tiver interesse em ser um doador de medula, é necessário comparecer ao Hemocentro de
Campinas, localizado na rua Carlos Chagas, 480 - Cidade Universitária "Prof. Zeferino Vaz", de segunda a sábado, das 7h30 às 15h.