Mesmo após a crise da Covid 19, a tendência é que as empresas continuem adotando o trabalho home office. Levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que considerou as respostas de tomadores de decisão e gestores, aponta que o número de empresas com a modalidade de teletrabalho deve crescer 30% após pandemia.
De acordo com a advogada Talita Garcez, especialista em Direito do Trabalho, as empresas estão percebendo as inúmeras vantagens que o home office oferece para empregadores e empregados. “Além da tradicional visão de flexibilidade para o trabalhador, os empregadores também estão percebendo que a modalidade oferece economia de recursos e otimização de tempo e movimento, gerando novos ganhos organizacionais”, destaca.
No entanto, o trabalho remoto não significa ausência de responsabilidade do empregador, por isso, segundo Talita, algumas situações devem ser levadas em consideração. Uma delas é o uso indevido e abusivo do whatsapp. “Cobranças excessivas em horários inadequados, tom ofensivo na conversa ou chacotas em grupos da empresa podem ser motivos para que o empregado ingresse com uma ação trabalhista”, afirma.
As empresas também devem estar atentas quanto às condições de trabalho, como ergonomia e o ambiente doméstico, bem como a forma da cobrança de produtividade para não gerar ansiedade ou outros transtornos psicológicos. “Outro fator importante são os equipamentos. É preciso estabelecer responsabilidades no fornecimento, despesas e reparos dos instrumentos de trabalho, como notebook, celular, energia e internet”, explica.
O sigilo das informações e a proteção de dados também são fatores que merecem atenção. “Elaborar um termo de confidencialidade e responsabilidade e fornecer treinamentos para passar a importância da proteção de dados é um bom caminho para evitar transtornos futuros”, destaca a especialista.