Quanto uma mulher pode beber de álcool durante a gravidez?
Não existe uma dose limite pré-estabelecida para a ingestão do álcool pela gestante que não prejudique o bebê, garantem os especialistas.
Um dos pesquisadores mais atuantes na área, João Monteiro de Pina Neto, do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto e que já participou de um programa de mapeamento genético junto à Apae
Limeira explica que em 1973 foi publicado, pela primeira vez, nos Estados Unidos, dados sobre os efeitos fetais do álcool na gestação. “O álcool é hoje considerado o agente mais tóxico para o SNC- Sistema Nervoso Central- tanto de adultos, como principalmente para os fetos. Quando álcool cruza a placenta, ele vai direto para o sangue fetal e se distribui para todos os tecidos e órgãos do feto, agindo de forma a induzir uma destruição neuronal, provocando extensas lesões”.
Dentre os danos ocasionados pelo consumo do álcool na gestação, é possível destacar a grande incidência de abortos espontâneos, retardo de crescimento intrauterino, trabalho de parto prematuro, microcefalia, má formações renais, ósseas, cardíacas, de cerebelo, hipocampo e córtex pré-frontal, além daquela que é considerada uma das doenças com maior comprometimento neuropsiquiátrico em bebês de mulheres que beberam em excesso na gestação – a Síndrome Alcoólica Fetal - SAF.
A SAF refere-se a um conjunto de características e atrasos no desenvolvimento de crianças nascidas de mães que consumiram álcool durante a gravidez e é caracterizada principalmente por: dismorfismos faciais, déficit de crescimento, alterações do sistema nervoso central associado à deficiência intelectual, entre outras.
“Os indivíduos afetados pelo consumo do álcool na gestação, também podem apresentar problemas comportamentais e de aprendizagem, hiperatividade, problemas de memória, atenção, concentração, linguagem, audição, dificuldades em solucionar problemas e conflitos interpessoais”, explica o pesquisador.
Por esta razão a Organização Mundial da Saúde (OMS) é inflexível e tem como recomendação acerca do consumo do álcool no período gestacional uma só: nenhuma dose da ingestão de qualquer tipo de álcool durante toda a gestação.
Prevenção: o único caminho.
As lesões causadas pela ação do álcool são totalmente prevenidas se a gestante não consumir bebidas alcoólicas durante a gestação. Assim, é fundamental a detecção das mulheres consumidoras de álcool durante a gravidez e o desenvolvimento de programas específicos de alerta sobre as consequências do álcool durante a gestação e amamentação.
Neste sentido, a Apae
Limeira, por intermédio do programa Centro de Ações Preventivas, há doze anos realiza todo mês de maio uma campanha que visa alertar o maior número de pessoas possíveis sobre os perigos do consumo do álcool na gestação. O assunto é abordado em palestras, treinamentos para capacitação de profissionais das áreas da saúde e educação, bem como ganha evidência na comunidade através da parceria com a mídia local e com a distribuição de materiais impressos com orientações técnicas específicas.
“Esta campanha nasceu para alertar o maior número de pessoas possível sobre o perigo do álcool na gestação e, principalmente, informar que, hoje, ele é a principal causa ambiental de Deficiência Intelectual e essa causa, todos nós podemos prevenir, é uma questão de consciência, por isso, o diferencial deste trabalho é que ele acontece fora da entidade", diz Luciana Benedeti Lavoura- coordenadora da Equipe de Prevenção APAE Limeira.
“Nosso trabalho incide, além de tentar identificar essas crianças, garantindo a elas um acompanhamento especializado, garantir que as informações cheguem até a comunidade e especialmente até as gestantes para que compreendam que gerar uma vida é um dos momentos mais lindos de uma mulher e que ele deve vir acompanhado de conhecimento e responsabilidades”, finalizou.