Referência na pesquisa e na transferência de tecnologias para ampliar a qualidade e a produtividade da citricultura paulista e nacional, o Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Citros Sylvio Moreira completa 90 anos de fundação. As homenagens à instituição, ligada ao Instituto Agronômico (IAC), foram realizadas na última segunda-feira (4) durante a abertura da 40ª Semana da Citricultura, 44ª Expocitros e 49º Dia do Citricultor, com a presença do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de
São Paulo, Francisco Sergio Ferreira Jardim.
De acordo com Francisco Jardim, o setor vive um novo momento com a instituição do sistema de mitigação de risco (SMR) para o cancro cítrico, determinado na Instrução Normativa nº 37 pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no qual “é necessária uma mudança no modelo de gestão da citricultura. “Queremos trazer maior isonomia aos citricultores na solução dos desafios”, avaliou, destacando a importância do papel da pesquisa realizada no Centro de Citricultura para o combate às principais pragas e doenças que acometem o pomar paulista.
O secretário ressaltou a importância da integração entre o Poder Público e o setor produtivo para fortalecer a citricultura. “O Governo não comercializa os pés de laranja; nosso papel é propor as melhores soluções para os desafios dos produtores. É recomendação do governador Márcio França buscar a integração com o setor produtivo, em especial os pequenos e médios produtores”, disse.
Integração proporcionada pela realização da Expocitrus, como observou o diretor do Centro de Citricultura, Marcos Antonio Machado. “A Expocitros é um evento extremamente relevante para integrar pesquisadores, estudantes, proprietários, empresas e instituições privadas. Todos os elos da cadeia produtiva se encontram, na busca por inovação, tecnologia e ciência”, afirmou.
Criado em 1928, o Centro de Citricultura é um dos institutos mais antigos do IAC, conforme lembrou o diretor Sérgio Augusto Morais Carbonell. “Nesta trajetória, foram várias conquistas como o certificado de acreditação da Clínica Fitolopatológica, que realizou mais de 120 mil análises em 10 anos; e a promoção de feiras com a participação de mais de 70 mil agricultores”.
O centro foi responsável pela distribuição de material genético, com a produção de 13 milhões de mudas em 2017 e de três milhões em 2018. “98% das variedades de copa e porta-enxertos são provenientes do Centro, que alimenta o parque citrícola brasileiro. Estamos fazendo uma pesquisa alinhada aos anseios da população por melhor qualidade de vida”, ressaltou Carbonell.
Além do vanguardismo na pesquisa com a formação de novos pesquisadores, o Centro investe na pesquisa aplicada, com resultado imediato para a citricultura. “Apesar do Centro ser referência, a Expocitros agrega o trabalho de universidades e outras instituições privadas para debater melhorias para o setor”, disse o coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) Orlando Melo de Castro.
“O Centro de Citricultura é referência para
Cordeirópolis, pois comprova que a pesquisa pode estar integrada à realidade e fazer a diferença no mundo produtivo, no dia-a-dia da citricultura, na economia e na vida da população. Chegar a esse nível de excelência e conservação aos 90 anos é muito importante”, comemorou o prefeito do município, José Adinan Ortolan. Também participaram da solenidade o deputado federal Nelson Marquezeli, o deputado estadual Davi Zaia, e a prefeita de Santa Cruz da Conceição, Patricia Capodifoglio Landgraf.
Homenagens
O deputado federal Arnaldo Jardim foi um dos homenageados da cerimônia, ao receber o Pre?mio “Centro de Citricultura 2018”, em reconhecimento à atuação como secretário de Agricultura e Abastecimento entre 2015 e 2018, no fortalecimento do setor e da pesquisa paulista.
“No momento em que há muito desencontros no País, temos a oportunidade de renovar a esperança, acreditar na ciência e no aumento de produtividade”, afirmou destacando que em 2017 a produção nacional chegou a 364 milhões de caixa de laranjas, enquanto na Flórida foi de 70 milhões de caixas.
De acordo com Arnaldo Jardim, além da legislação para o Sistema de Mitigação de Risco do cancro cítrico e adoção da Permissão de Transporte Vegetal Eletrônica (e-PTV), a implantação dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) no âmbito dos institutos de pesquisa paulista convergiu em melhorias para o setor. “Com os NITs, é justo que haja o reconhecimento dos pesquisadores, que agora participam dos resultados e rendimentos de seu trabalho”, finalizou.
O engenheiro agrônomo Helvécio Della Coletta Filho, que recebeu o Prêmio “Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura 2018”, destacou a qualidade técnica dos pesquisadores, extensionistas e citricultores, “que trazem um grande diferencial para o desenvolvimento do setor”.
O engenheiro agronômo Agostinho Mario Boggio, que atuou no departamento de tecnologia agrícola da Coopercitrus, recebeu o Prêmio “Hall da Fama da Citricultura Brasileira” do Grupo de Consultores de Citros (Gconci).
A programação da Semana da Citricultura segue até o dia 8 com palestras sobre fitossanidade, inovação tecnológica, nutrição, HLB, irrigação, economia e política, ministradas por especialistas do setor e pesquisadores do IAC.