Participantes de 11 cidades estiveram em
Limeira no último sábado, 26 de agosto, para a palestra “Cuidados com as crianças e adolescentes com síndrome de Down”. O evento, gratuito, foi organizado pela Associação Amigos Especiais de Limeira.
A palestrante foi a pediatra Ana Cláudia Brandão, que atua no Ambulatório para Crianças e Adolescentes com Síndrome de Down do Hospital Israelita Albert Einstein, de
São Paulo. Ana Cláudia também tem um filho com a síndrome e, por isso, a palestra foi montada com base nos conhecimentos enquanto médica e da vivência como mãe.
Ela abordou questões como a descoberta da síndrome ainda na gestação, características mais comuns das pessoas com síndrome de Down, alimentação adequada, sexualidade e autonomia.
De acordo com a pediatra, a família tem papel fundamental na oferta de autonomia na infância visando maior independência na adolescência e na vida adulta. Fatores como a infantilização, superproteção e mensagens subliminares de que eles não são capazes de fazer alguma atividade, prejudicam. “A autonomia começa na maternidade. Todos devem ajudar na construção da identidade. Temos que engolir o choro e dar corda”, alertou Ana Cláudia.
A médica defende que toda pessoa com síndrome de Down seja capaz de construir o próprio projeto de vida. “Temos que dar oportunidades o tempo todo. Se um adolescente pega um ônibus errado aos 15 anos, não quer dizer que aos 20 cometerá a mesma falha. É preciso tentar novamente”, aconselhou. O que muitos pais fazem é deixar o filho tentar uma vez, se não consegue, não volta a ofertar a oportunidade de aprender.
Segundo a pediatra, muitos pais têm o hábito de medicalizar a rotina do filho. “Atividades comuns são transformadas em terapia. Ao invés de matricular em uma aula de música, direciona-se para a musicoterapia. A criança pode ir para a aula de equitação, mas o pai encaminha para a eco terapia. São coisas do dia a dia que parecem simples, mas que no futuro terão impacto negativo”, apontou.
Ana Claudia também enalteceu o progresso que a Lei Brasileira de Inclusão ofertou. A presença em escolas regulares tem feito o número de pessoas com síndrome de Down aumentar cada vez mais nas universidades. “É preciso sempre incluir, empoderar. Isso vai desde ensinar a retirar o prato da mesa, até insistir em atividades que as outras crianças praticam”, aconselhou.
A Associação Amigos Especiais de Limeira recolheu 280 litros de leite durante a palestra. O total arrecadado dividido entre duas entidades de Limeira, o Recanto dos Idosos Nossa Senhora do Rosário e o Cantinho do Vovô.