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 Referências a Cordeiro em documentação disponibilizada na internet (1887-1920) - Portal Cordero Virtual

Referências a Cordeiro em documentação disponibilizada na internet (1887-1920)

04/01/2020 12:08:57
Continuando no nosso trabalho de levantamento de informações relevantes sobre Cordeirópolis desde o tempo em que era uma povoação e um distrito, destacamos neste texto as referências encontradas no acervo dos Almanaques, editados entre o final do século XIX e o início do XX, bem como os Relatórios dos Presidentes do Estado de São Paulo e outros jornais e revistas.

A primeira referência relevante está na p. 152 do Almanaque da Província de São Paulo para 1887, onde, na página referente à Companhia Paulista de Estradas de Ferro, informa-se que o Chefe da Estação de Cordeiros era Alfredo Martins, nome que apareceu em outras oportunidades, do qual não há mais informações. 

A segunda referência de destaque é a p. 30 do Almanaque da Província de São Paulo para 1888, onde se destacava que dentro as “agências onde e de onde expedem-se malas” constava a da estação de Cordeiro, que partiriam de S. Paulo e chegariam diariamente, de segunda a sábado. Conforme sabemos, e vamos abordar em outro artigo, a agência do correio na estação ferroviária foi criada em 1879, conforme publicações de diversos jornais do período. 

Continuando na área dos correios, uma referência interessante aparece no artigo cujo título é “Indicação dos lugares para onde deve ser remetida a correspondência por falta de agência naquele a que é dirigida”. A relação, em ordem alfabética, indicava as localidades, suas categorias e o destino da correspondência, para que não houvesse extravios. 

No caso que nos interessa, existem dois locais relevantes: primeiro, a Fazenda Angélica, cujas correspondências deveriam ser destinadas ao município de Limeira e a um bairro chamado de “Água Fria”, cujas correspondências deveriam ser encaminhadas à Estação de Cordeiros. 

Esta referência parece incorreta, pois está comprovado documentalmente que o único local com denominação parecida no entorno da estação e atualmente pertencente ao município de Cordeirópolis é “Água Branca”, que designava uma fazenda, um bairro e a origem de tudo, a Sesmaria da Água Branca, cuja recuperação da sua história depende de acesso a arquivos que estão além de nossas possibilidades atuais. 

Por falar na Água Branca, uma das principais fazendas da região sempre foram chamadas de “Fazenda do Costa”, mas pouco se soube o motivo disto, pois nem os antigos proprietários, nem os anteriores dos quais foi feita a compra, tinham alguma relação clara com este nome. 

Mesmo tendo encontrado referências anteriores sobre a “fazenda do Tenente Coronel Mendes Costa”, é num destes almanaques, que temos uma melhor confirmação. À p. 690 do Almanaque para 1888 indica-se na relação dos proprietários de fazendas do Estado a simples frase “Antonio Mendes da Costa, Tenente Coronel, fazendeiro, Cordeiros”, o que esclarece melhor a situação.  

Para perfeito entendimento de todo o processo, seria necessária uma pesquisa nos Cartórios de Notas e de Registro de Imóveis de Limeira e até de Rio Claro, o que é impossível, dado o caráter privado destas instituições. Talvez uma pesquisa nos arquivos judiciários de Limeira, que estão inacessíveis até o momento, poderia esclarecer efetivamente a situação. 

Após esta data, algumas informações são conseguidas nos Relatórios do Presidente do Estado de São Paulo, documentos apresentados pelo Poder Executivo estadual ao então Congresso Legislativo (atual Assembleia Legislativa) anualmente, indicando os principais fatos que mereceram destaque no ano anterior. 

Falando sobre as epidemias que atingiam o Estado naquele período, o Presidente do Estado em seu relatório, informava que “(...) se não podemos anunciar desde já resultados completos das medidas adotadas, podemos, contudo, registrar os sinais característicos do enfraquecimento deste terrível flagelo. Algumas localidades, como Mogi Mirim, Casa Branca, Cordeiros, São Carlos, Araraquara, Jaboticabal, Brotas e Descalvado, que em anos anteriores foram fortemente acometidas, puderam, entretanto, atravessar indenes a recente estação estival”. Este trecho foi integralmente reproduzido na revista “Brasil-Médico”, de abril de 1897. 

Conforme apontamos em outras oportunidades, praticamente durante toda a década de 1880 e 1890 a povoação de Cordeiros foi atingida pelas epidemias de diversas doenças, com a situação se normalizando após o início do século XX. 

Entretanto, ainda em 1909 o relatório mostrava que o distrito estava sujeito a doenças, principalmente devido à falta de condições de higiene e o desconhecimento dos meios de propagação e combate à doença. Segundo o documento, “Nesta Capital, em Cordeiros e em Iguape apareceram alguns casos de peste bubônica, a qual não se desenvolveu em vista das prontas providências do Serviço Sanitário. Nesta última cidade, receberam voluntariamente a vacina anti-pestosa 1.498 pessoas.” Num local onde talvez sequer houvesse médicos, e uma ou talvez duas farmácias, morar em Cordeiro era difícil, e podemos considerar heróis os fundadores, primeiros moradores e a geração contemporânea que iniciou a cidade, há mais de 130 anos. 

Refletindo o fato de que a questão sanitária parece ter sido equacionada, a próxima referência a Cordeiro é o Relatório do Presidente do Estado de São Paulo do ano de 1913, onde se informava que “dentre as obras em andamento, que se destacam pela sua importância, convêm mencionar as seguintes”, e dentre elas estava o posto policial de Cordeiro, que é a atual Delegacia de Polícia de Cordeirópolis, cujo prédio construído neste período resistiu, até ser reformado completamente na década de 1980, depois sofrendo diversas reformas, até se encontrar na configuração atual.
 
Vale lembrar que o “posto policial” de Cordeiro foi criado em 1890, completando ano que vem 130 anos de existência, mas não se sabe onde ele funcionava antes deste local. De subdelegacia por muitos anos, a Delegacia de Polícia de Cordeirópolis só passou a ter esta categoria a partir de 1949, ou seja, há 70 anos. 

Conforme verificamos no Relatório do Presidente do Estado de São Paulo em 1915, o posto policial, que estava em construção dois anos antes, neste momento estaria concluído. Segundo a p. 686 do Relatório: “Ficaram concluídos (...) as cadeias de (...) e os postos policiais de (...) Cordeiros (...)”, dentre outros. 

Esta informação já tínhamos acesso desde o final da década de 1990, quando fizemos levantamento nos livros do Tabelionato de Notas e Protesto, chamado à época de Cartório de Registro Civil e Anexos e encontramos uma escritura de quitação feita pelo responsável da obra, que recebeu os valores contratados com o Governo do Estado. 

Outro acervo que surpreendentemente contava com informações sobre Cordeiro é uma coleção de jornais digitalizados do Município de Itu. Nele encontramos três referências interessantes: a primeira é do jornal “Imprensa Ytuana”, de 3 de maio de 1879, onde se transcreviam os debates da Assembleia Geral Legislativa, o antecessor do Congresso Nacional. 

O texto descreve os acontecimentos que geraram a constituição da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, que prosseguiu a ferrovia a partir de Jundiaí devido a desistência da São Paulo Railway, companhia de capital inglês que era a concessionária do trecho até 1946. 

Destacou-se, dentre outras informações, que de acordo com legislação do período, a estrada de ferro tornou-se provincial, mesmo acompanhando o traçado e a bitola da Ingleza, que era uma concessão do governo geral.

A citação à estação de Cordeiro, que como sabemos, teve seu prédio concluído em 1878 devia-se ao fato de que “tendo alcançado o ponto do Rio Claro, e mesmo antes de lá chegar, pelo que me informam, tomou à direita outra direção, que constitui o ramal que, partindo do ponto ou Estação dos Cordeiros, encaminha-se a Pirassununga”. 

O curioso é que só pudemos ter acesso a esta discussão em âmbito do Governo Imperial através da transcrição feita por um jornal de Itu que, felizmente, foi digitalizado e disponibilizado através da internet. 

Outra referência a Cordeiro no período é dada pelo mesmo jornal “Imprensa Ytuana” em uma nota na edição de 12 de junho de 1887, pouco mais de um ano após o início da construção da Capela de Santo Antonio dos Cordeiros e do estabelecimento da povoação, com o título “Roubo de café”. 

Segundo a reportagem, em Cordeiros acabava de ser descoberto um audacioso furto de 17 sacas de café, sendo o ladrão aprisionado quando abria, com uma chave falsa, a porta de um vagão de cargas. Como se não bastasse a questão sanitária, a segurança da região da estação ferroviária já era um problema naquela época... 

A última referência na imprensa ituana é do jornal “Federação” de 25 de outubro de 1908, que se intitulava “órgão das associações católicas de Itu”, registrando a criação da Arquidiocese de São Paulo e das Dioceses de Taubaté, São Carlos, Campinas e Botucatu. 

Dentre as paróquias que iriam pertencer à Diocese de Campinas, estavam, como era de se esperar, as de Araras, Rio Claro, Limeira e Cordeiro e Cascalho (que era uma capela curada) para citar as mais próximas. Santa Gertrudes ainda não era paróquia, e por isso não foi citada, já que era apenas uma capela vinculada a Rio Claro. Destaca-se a situação de Cascalho que era um curato, isto é, uma igreja com um padre responsável, mas não autônoma no gerenciamento financeiro de suas contribuições. 

Outro periódico preservado pela Hemeroteca Digital foi “A Vida Moderna”, revista de circulação quinzenal “publicada no período de 1907 a 1925, e esteve entre as revistas de maior vendagem em São Paulo. Em suas páginas o conteúdo escrito era ilustrado com fotografias mostrando as personalidades da sociedade e do meio político; coberturas de festas, eventos, esportes; e muitos comentários sobre bares, salões e teatros de São Paulo”, de acordo com o Arquivo do Estado de São Paulo em seu site

Neste caso, destacamos duas entradas onde encontramos citações a Cordeiro: a primeira, na edição de 1912, onde está impressa a “Lista de Nossos Agentes”, ou seja, os responsáveis pela cobrança de assinaturas, envio de publicidade e outras notas de interesse. O curioso é que no distrito o responsável era José Reginato, que foi titular, por um período, do Cartório de Registro Civil e Anexos, que, como sabemos, completou 120 anos em 2019.

A segunda referência foi numa das edições de 1920, na nota com título “Automobilismo – Ford TouringClub”. De acordo com o redator, “conforme noticiamos, os srs. Alfredo Azevedo silva e João Villanova levaram a efeito, com o melhor êxito, um raid automobilístico, de Bebedouro a São Paulo, num percurso de mais de 30 horas de viagem.” 

No dia 20 de agosto de 1920, os viajantes partiram de Bebedouro às 6 da manhã, passando por diversos locais e chegando às localidades do ramal de Araras da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF): às 16:40 em Porto Ferreira, em Pirassununga às 17:20, em Leme, às 18:40, em Araras, às 19:05 e em Cordeiro às 20:20 (demorando uma hora e vinte para percorrer pouco mais de quinze quilômetros que separam as duas cidades), às 21 horas em Limeira, às 23h15 em Americana (demorando mais de duas horas para percorrer pouco mais de vinte quilômetros), chegando a Campinas à 1:45 do dia 21. 

Após um descanso, os viajantes continuaram em direção a S. Paulo a partir das 7 horas, passando por Indaiatuba, Itu, Cabreúva, e Pirapora, chegando à Praça Antonio Prado, em São Paulo. É a única referência encontrada até agora sobre a inclusão de Cordeiro nestas competições de longa distância, muito comuns no início do automobilismo.

Falando sobre os percalços de outra viagem, encontramos duas frases que resumem o que os aventureiros podem ter passado neste trecho: “(...) por caminhos irregulares, tendo lutado com muitas dificuldades, principalmente com areiões” (...) “depois de um temporal que impossibilitou a continuação do raid naquele dia (...)” em “trajetos que tem trechos bons e maus, ocasionando também algumas erradas por falta de indicação nas encruzilhadas”. Como seria bom ter um GPS neste momento... 

Estas foram as informações conseguidas em diversos jornais e documentos encontrados na Hemeroteca da Biblioteca Nacional e também em um site da região de Itu, demonstrando o grande potencial da digitalização e disponibilização na internet de publicações que, caso isso não fosse feito, seriam acessadas apenas por poucas pessoas e das quais não teríamos conhecimento. Nossos cumprimentos a todos os envolvidos nestas iniciativas.
 Revivendo História - Portal Cordero Virtual
Revivendo História
Por: Paulo César Tamiazo - Historiador - MTE nº 713/SP
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis - https://orcid.org/0000-0003-2632-6546
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