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Dança das Siglas

22/09/2019 08:57:40
Você já viu uma pessoa de um partido apoiar outra, de outro partido, com ideias completamente diferentes? Já viu alguém soltar criticas contra os pensamentos do próprio partido em que é filiado? Normal né?!!! Vamos entender um pouco do porquê isso acontece então.

A missão do constituinte de 1.987 era muito clara; redemocratizar o país e romper com a estrutura autoritária que havia se instalado em nossa nação. E esse objetivo foi alcançado, em partes, com a partidarização de grupos com ideologias diferentes.

Partido Político, no seu sentido axiológico, significa: Uma parte (partido) de pessoas que defendem uma filosofia ou uma ideia política de sociedade, com a liberdade de defender essa filosofia. (Sem o autoritarismo!)

No entanto, essa abertura partidária sem limites acabou causando um desvirtuamento desse significado, com o fracionamento de siglas. Vejam a quantidade de partidos que temos (35 para ser mais exato). Alguns cientistas políticos são categóricos em dizer que é impossível existir tantas ideologias partidárias diferentes no país; e isso acabou nos levando à uma ruptura com a real função da existência partidária.

Consequência disso: Pessoas assumem partidos políticos cujos quais não guardam nenhuma afinidade. E o resultado? Dentro do partido, todos brigam para ser o dono da moeda de troca.

O fracionamento dos partidos distanciou seus filiados da filosofia coletiva e os aproximou dos interesses individuais, quase ninguém que se filia a um partido, hoje em dia, lê o seu estatuto ou busca suas bases históricas e nem se preocupa com a estrutura social que o partido queria quando foi fundado. Tudo virou moeda de troca por apoio de quem está no poder. 

Quando partimos para a esfera municipal, onde a figura pessoal do candidato se deslocando do partido ao qual ele é filiado, a coisa fica ainda mais nítida e difícil de controlar. Muda-se de partido não por filosofia, mas por apoio, cargos ou interesses pessoais. 

Nega-se o partido anterior com a mesma naturalidade de quem reza dez ave marias e está perdoado dos pecados; muda-se de filosofia como quem muda de roupa –  como se isso não estivesse cravado na sua convicção pessoal – e assim caminham os diretórios municipais, ou seja,para onde o vento mais forte sopra.

Precisamos afiar nossos olhos e nossos sentidos para perceber “quem é quem” no cenário quem vem se apresentando, separar aqueles que acreditam em algo daqueles que que simplesmente querem algo. 

Precisamos ligar as pessoas aos seus partidos; partido não é trampolim, partido é uma ideologia. Já faz um bom tempo que saímos do“quem defende o que”e entramos para o “quem oferece o que” – infelizmente!
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Politiconomia
Por: Marcelo L. Braga
Espaço para trazer assuntos da economia e da política, ajudando na formação de opiniões e cidadania.
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