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 A participação da sociedade na Igreja Católica em Cordeirópolis (1940-1961) - Portal Cordero Virtual

A participação da sociedade na Igreja Católica em Cordeirópolis (1940-1961)

06/08/2019 09:15:12
Continuamos, neste texto, a analisar os dados recolhidos por Mario Zocchio Pasotto dos livros de registro da Paróquia de Santo Antonio de Cordeirópolis. Por ser um período razoavelmente curto, as referências serão menores em quantidade em comparação ao período anterior, mas continuam relevantes. 

A primeira referência notável para o período é a fundação da Associação das Damas de Caridade, conforme citação de 1940. Segundo o registro do padre Paulo Pastana Smith, “por iniciativa do vigário da paróquia, nos fins do mês de outubro, iniciou-se o serviço de socorro e de cuidados para com os pobres e viúvas de Cordeiro. Para que o serviço fosse mais efetivo, foi eleita uma diretoria e denominou-se a nova fundação – Damas de Caridade.” 

A diretoria ficava constituída por Leonor Marcicano, substituta do cartório local e esposa do primeiro prefeito de Cordeirópolis, Aristeu Marcicano, como presidente; Maria Nazareth Stocco Lordello, professora e esposa do primeiro presidente da Câmara de Cordeirópolis, Bento Avelino Lordello, também professor, e como Tesoureira, Inês Cassiano, reconhecida pelo trabalho assistencial e em favor da comunidade afrobrasileira. 

Em 1942, foi nomeado em substituição ao vigário Smith o padre Antonio Janoni. As testemunhas da tomada de posse do novo vigário são Claudioloro Benedito; Carlos Hespanhol, tradicional comerciante de Cordeirópolis e José Francisco Leite de Souza, funcionário dos Correios, cuja sede ficava a meio quarteirão da igreja. 

Neste mesmo ano, destaca-se a “nova instalação elétrica da igreja” Matriz de Santo Antonio, que foi realizada “graças aos trabalhos gratuitos do Sr. Jamil  Abrahão, subprefeito”, Moacyr Dias, industrial e comerciante e Benedito Feres, coletor estadual, além do fornecimento gratuito do material elétrico pelo comerciante Carlos Hespanhol. 

Outro destaque deste período é a inauguração da Capela de Nossa Senhora Aparecida, em 7 de setembro de 1943, na Chácara Lydia, de propriedade do Capitão Ary Levy Pereira. Para um bom histórico sobre a imagem de Nossa Senhora Aparecida, que fica atualmente na Rua Flamínio Levy, na Vila Nossa Senhora Aparecida, veja o texto publicado na “Revista Acontece Cordeirópolis” nº 3, distribuída em comemoração ao 71º aniversário de emancipação de Cordeirópolis. 

Em dezembro, destacou-se pelo padre Janoni a oferta de uma “nova imagem do Menino Jesus” pelo “inocente” José Antonio, filho do Sr. Durval Alves, da Indústria Krauter. Vale lembrar que, nesta época, a fábrica que se chamou Fioseda e foi criada por Francisco Orlando Stocco, já tinha sido vendida a Guilherme (David Wilhelm) Krauter, industrial paulistano que gerenciou a indústria até sua morte, homenageado com seu nome na rua que passa em frente ao local. Sem contar que Krauter era luterano, apesar do ótimo relacionamento com a Igreja Católica no distrito e município. 

Outro personagem importante citado pelos registros da Paróquia de Santo Antonio foi Paulo Merolla. No ano em que o município de Cordeirópolis foi criado, Merola tinha sido um dos últimos subprefeitos nomeados pela Prefeitura de Limeira. Esta família há muito tempo não se encontra mais na cidade, e é importante sua presença pelo fato de ter construido os novos bancos da igreja naquele período. Em 1944, o padre Janoni escrevia: “Era uma urgente necessidade. Os antigos bancos já não serviam. Eram indecentes para a casa de Deus. O povo todo, numa grande campanha, construiu os bancos (…). Foram feitos em Cordeiro, na oficina do Sr. Paulo Merolla.” 

Outra referência importantíssima é a construção da Capela no Cemitério Municipal de Cordeirópolis. Conforme já sabíamos de depoimentos orais de contemporâneos, a capela “velha” do cemitério foi construída pela Subprefeitura de Cordeiro, na época administrada pelo Prof. Bento Avelino Lordello. Segundo os registros do padre Janoni:

“Por iniciativa particular do Exmo. Sr. Subprefeito, Prof. Bento Avelino Lordello, foi construida linda capela e um necrotério. Foi inaugurada solenemente dia de Finados com a Santa Missa às 8,30 horas. Deixo consignado os agradecimentos ao Subprefeito por esta benfeitoria e pelas outras que têm feito pela Paróquia”

Logo após estas anotações, Janoni foi removido para Indaiatuba e, no seu lugar, foi designado o Padre Santo Armelin, homenageado posteriormente em uma das ruas do Jardim Planalto. O destaque do fato é a presença das testemunhas da sua tomada de posse, em 19 de janeiro de 1946: Aristeu Marcicano e Jorge Fernandes, que posteriormente seriam políticos do PSD, prefeito e vereador, e Carlos Hespanhol, tradicional comerciante da localidade. 

Vale lembrar que Aristeu morava a menos de um quarteirão da igreja, da mesma forma Fernandes, que era diretor do então Grupo Escolar Coronel José Levy, situado a um quarteirão da igreja, bem como o comércio de Hespanhol fazia fundos com a Matriz. 

Outro registro digno de nota é a da nova diretoria da Congregação Mariana: nela estão presentes Sebastião Meneghin, como presidente; Jordão Bettin, vice-presidente, Manoel Teixeira de Castro, como secretário; Valentim Mascarin, tesoureiro e Valdomiro Damião, conselheiro. Mascarin foi comerciante durante longos anos na Rua Toledo Barros e sua esposa, Cezira Meneghin Mascarin, faleceu recentemente, aos 92 anos. 

Curiosamente, foi (re) fundada a Associação de Damas de Caridade, conforme vimos em referência anterior no início da década de 1940. Segundo a nota do padre Janoni, “no dia 9 de setembro em curso de 1946 foi fundada a associação de damas de Caridade, com o intuito de amparar a indigência. 

A associação recebeu Cr$ 6.000,00 [seis mil cruzeiros, moeda da época] do Governo do Estado. Foi nomeada presidente D. Maria Stocco Lordello, a qual ficou encarregada de escolher as suas dignas cooperadoras”. Em seu comentário, Pasotto destaca que “pelo visto, a associação morreu por inércia e agora ressuscita graças ao dinheiro do Estado. Politizada, não sobreviverá”. 

Conforme destacamos em artigo publicado no mês de junho, a Festa de Santo Antonio poucas vezes foi citada em apontamentos dos vigários da Paróquia e muitas vezes realizada fora de sua data normal. Nestes apontamentos, verificamos uma dessas situações e destacamos as personalidades envolvidas. 
“Do dia 21 ao dia 29 de setembro de 1946. Fizeram parte da Comissão de Honra os Srs. Huberto Levy, Ary Levy Pereira [proprietários rurais no distrito], Carmelo Fior e Jamil Abrahão [industriais do distrito] e da Comissão Executiva os Srs. Carlos Hespanhol, presidente; José Moreira, vice-presidente, prof. Bento Lordello, secretário e Aristeu Marcicano, tesoureiro”.

Naquele ano, na festa havia três barracas: uma chamada “Brasil”, a cargo do prof. Bento Lordello e d. Ângela Gambarotto; “Itália”, a cargo de Aristeu e Leonor Marcicano e rifa, a cargo de Angelo Pagotto e Yolanda Pagotto. O leilão de prendas ficou a cargo de Jorge Fernandes e José Francisco Leite de Souza, conhecido como Juca do Correio. Pagotto também foi vereador numa das primeiras legislaturas de Cordeirópolis e Yolanda Stocco, depois Pagotto, era natural do distrito, professora primária e filha do comerciante Amadeu Stocco, irmã da prof. Maria Nazareth Stocco, casada com o prof. Bento Lordello, muito citado. 

Carmelo Fior faleceria em agosto do mesmo ano, sendo inaugurada uma capela em sua propriedade em 4 de outubro, sob a responsabilidade de sua esposa, Maria de Lourdes Arrais. Outro fato relevante é a inauguração, em 8 de dezembro de 1946, da “Papel e Cartolina Saad”, referida nas anotações do padre Armelin como “fábrica de papelão Gabriel Saad”. 

Duas notas rápidas, mas bastante interessantes, são destacadas das anotações do Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antonio: no dia 19 de janeiro de 1947, um domingo, foram realizadas eleições gerais em todo o Brasil, conforme determinação da Constituição Federal de 1946, e o candidato Mario Tavares recebeu o maior número de votos no distrito. 

A boa votação de Tavares em Cordeiro significou a vitória do PSD, representado por Aristeu Marcicano, Jorge Fernandes e Bento Lordello, que depois seriam vereadores na primeira legislatura de Cordeirópolis. Apesar disso, quem ganhou a eleição para Governador do Estado foi Ademar de Barros, do PSP, partido de Jamil Abrahão Saad. 

A vitória de Ademar de Barros em nível estadual foi comemorada por seus correligionários em Cordeiro. Segundo as anotações do padre Armelin, “aos 16 de março realizou-se no jardim desta vila o comício comemorativo da tomada de posse do Sr. Ademar de Barros. Falaram vários oradores vindos de Limeira, inclusive vários comunistas. No programa figurava uma passeata, que redundou num verdadeiro fracasso, pois o povo não ligou ao desfile. Da passeata só participou a banda local, sem acompanhamento sequer de uma pessoa. Durante o comício foram apresentados como candidatos a Prefeitura de Limeira o Sr. Ary Pereira e à subprefeitura de Cordeirópolis o Sr. Jamil Saad Abrahão” 

Outro trecho de destaque foi a visita do Bispo de Campinas, dom Paulo de Tarso Campos, inicialmente à Paróquia de Santo Antonio e depois à Fazenda Ibicaba, de propriedade do Sr. Dr. Huberto Levy, onde almoçou às 11h30. Também foram visitadas as várias fábricas de fiação e tecelagem do então distrito, sendo recebido na Fábrica Krauter com faixa de saudação e após a visita o Sr. Guilherme Krauter ofereceu um champanhe ao prelado. 

Em mais uma citação à Festa de Santo Antonio, Pasotto, através dos escritos de Janoni, indica que durante o mês de junho, na casa do Sr. Carlos Hespanhol, foi constituída uma comissão para os festejos, que foram realizados de 13 a 21 de setembro. A comissão era composta de Hespanhol, Bento Lordello e Benedito Ramos Feres, além de Aristeu Marcicano e José Moreira. 

Há no livro uma descrição interessante sobre as festividades de Santo Antonio: “realizou-se do dia 13 ao dia 21 de setembro (…) as barracas foram construídas com pilares de tijolos doados pelos Irmãos Avi, telhas francesas emprestadas pelo Sr. Manoel Beraldo, caibros emprestados pela CACI, fechadas por esteiras de bambu. (…) as tabuletas artisticamente pintadas pelo Sr. Irio Alves , traziam o nome de cada barraca: S. Antonio (bar), Santa Teresinha (brinquedos) e Pia União (sorteios). 

O ano de 1947 foi fundamental na redemocratização do país. Por isso, fatos políticos do período são destacados pelos escritos recuperados pelo livro de Pasotto: “O mês [de outubro] (…) foi um tanto prejudicado pelos comícios que sucederam em preparação às eleições municipais, disputadas por três partidos. Trabalhista popular (Borghi), progressista e social democrático aliado ao trabalhista da ala de Getúlio Vargas. As ruas ficaram cheias de tiras de pano com diversos dizeres e os postes tiveram que arcar com tabuletas, que davam a impressão de uma “Via Sacra” armada nas ruas. A reza do dia de Cristo Rei teve de ser antecipada para as 6h30 por causa do comício eleitoral marcado para as 7 horas pelo partido progressista; a coligação PSD e PTB realizou-o em Cascalho. O PTN (ala Borghi) realizou o seu comício ontem à tarde às 19h30 com elementos vindos de Limeira.” 

Foram realizadas as eleições municipais em 9 de novembro de 1947, quando ainda Cordeirópolis era distrito de Limeira. Segundo Armelin, transcrito por Pasotto, o PSP apresentou como candidatos a prefeito, Ary Levy Pereira e a vereador, Jamil Abrahão Saad; o PTN apresentou como prefeito Fausto Esteves e como vereadores, Dr. Luna e Montezuma; o PSD apresentou para prefeito José Marciliano da Costa Júnior, o Jucão, e como vereadores para o Distrito, Bento Avelino Lordello e Durval Alves. 
Um costume que demorou muitos anos para ser abandonado era a prática de “levar eleitores” dos sítios e fazendas para votar na cidade. Isto foi atestado pelos registros paroquiais, quando é dito que “a Vila esteve o dia todo movimentada com as contínuas idas e vindas de autos e caminhões encarregados de trazer eleitores dos sítios e fazendas. Apuradas as urnas, ficaram eleitos: José Marciliano da Costa Júnior como prefeito de Limeira; Bento Lordello (PSD), Durval Alves (PTB) e Jamil Abrahão (PSP) como vereadores por Cordeirópolis. 

No ano seguinte, 1948, os destaques são as aulas de catecismo às quintas-feiras, no Grupo Escolar Coronel José Levy, coordenado pela comissão  composta pelo padre Santo Armelin, vigário, Maria Stocco Lordello, Leonor Rodrigues Marcicano, Solideia Carandina e Benedita Pinke.  Foi citada a presença de elementos do distrito numa reunião em Campinas da chamada Ação Católica, sendo membros José Vitta, presidente da junta; Rosa Pagnoca, pela Juventude Operária Católica, e Teresinha Ramos Feres, da Juventude Estudantil Católica. 

Outro momento de destaque é a comemoração do Primeiro de Maio, sendo que foi realizada uma missa na Torção Cordeiro, às 8 horas, dentre outras atividades, bem como a celebração de Corpus Christi, onde o pálio cerimonial foi levado por Antonio e Luiz Beraldo, Jorge Vieira de Freitas, Sebastião Moraes, Teleforo Sanchez e Mário Boldrini. O fato relevante é que Beraldo e Sanchez eram industriais, o primeiro da área cerâmica e o segundo, da têxtil; Jorge Vieira de Freitas era comerciante e Mario Boldrini foi posteriormente funcionário público. 

A Festa de Santo Antonio, conforme destacamos em outro texto, foi transferida novamente para setembro. Em junho, constituiu-se a comissão de festas, composta dos já conhecidos Aristeu Marcicano, José Moreira, Bento Lordello e Benedito Ramos Feres. A comissão de donativos era composta também de Ondina Mosca e José Francisco Leite de Souza. A representação feminina compôs-se de Leonor Rodrigues Marcicano, Ângela Gambaroto, Olívia Rodrigues Meneghin e Maria Simões.  

Nos dias 11 a 18 de setembro realizou-se efetivamente a festa, destacando-se, segundo escritos de Armelin, D. Angela Gambarotto, que preparou assados e coordenou o bar; Solidea Carandina, na barraca da Pia União; Ondina Mosca na tômbola e o Juca do Correio. 

Para encerrar o ano, destaca-se a bênção realizada em 26 de dezembro, no novo refeitório e salão de atos do Grupo Escolar Coronel José Levy, seguindo-se a entrega dos diplomas do curso primário. Foi registrada a presença do prefeito de Limeira, Jucão, afinado politicamente com as principais personalidades religiosas e oficiais do distrito, que em breve se tornaria município. 

Mesmo com a emancipação de Cordeirópolis, a ação da prefeitura era nula ou mínima na área de obras públicas. Prova disso é a referência de Armelin sobre a “cimentação de sarjetas e pedregulhos na rua fronteira à matriz”. Segundo a nota, 
“Aos 10 de maio [de 1949] foi iniciado o trabalho de cimentação das sarjetas, desde a sede social até à extremidade da rua, abrangendo igreja e casa paroquial. Este serviço, que durou quatro dias, foi feito pelo Sr. José Ambrósio e ficou (…) entre material e mão-de-obra, custeados pelo saldo da semana santa. Tendo o sr. Adolfo (Nico) Frattini oferecido todo o pedregulho, comprado do Sr. Pelegrinetti, o vigário pôde realizar mais uma benfeitoria, i.e., pedregulhar toda a rua que separa a matriz do jardim, obra que foi executada às vésperas do encerramento do mês de maio.”

Como de costume, foi definida a comissão para os festejos de Santo Antonio, que seriam realizados em setembro, composta de Aristeu Marcicano, José Moreira, Adolpho Fratini e Benedito Ramos Feres. Não deve se esquecer que nela estava o próprio prefeito municipal e dois vereadores daquela legislatura. A exceção era o farmacêutico José Moreira. 

Com relação à festa do período, temos a descrição e os responsáveis pelas barracas: bar, com o professor Antonio Osório, Jacy Ribeiro, Amália Moreira, Ângela Gambarotto e Zuleide Saad; sorteio, com Solideia Carandina, Isaura Vieira, Angelina Danesin e Rita Neves; alumínio, com o prof. Bento Lordello e Cherubim Alves de Oliveira e esposas. Ambos eram vereadores naquela legislatura; tiro ao alvo, prof. Sebastião Ribeiro. Na tômbola estava Ondina Mosca. Sobre esta senhora, dedicaremos um artigo específico, com informações vindas da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, uma vez que ela era originária desta cidade. 

Nas comemorações do Natal daquele ano, destacamos a realização de uma “sessão recreativa”, onde foram exibidos números de canto popular e cômico, destacando-se diversas meninas de então: Célia Pinheiro, Iracema Tamiazo, Irma Delmundi, Ana Guadagnin e Maria Maurício.  São nomes bastante conhecidos na cidade e certamente algumas delas ainda estão vivas para contar a história. 

No ano de 1950, o destaque do primeiro semestre é o início da vigência da lei que definiu os feriados municipais, o que gerou “boa frequencia na missa e bom número de comunhões. Terminada a missa, foram distribuidos os pãezinhos de Santo Antonio.” Conforme já apontamos em texto específico, a Festa do Padroeiro, neste ano, foi realizada em agosto. 

Da mesma forma, dentro da legislação permitida no período, o dia 8 de dezembro também foi um dos feriados municipais, o que gerou elogios, registrados no Livro Tombo da Paróquia. “Em ambas as missas, houve grande afluência de fieis, pois o vigário conseguiu do Prefeito que fosse este dia considerado feriado municipal”. Esta situação perdurou até 1967, quando o feriado foi extinto, devido a mudanças na legislação federal correspondente. 

Uma informação importantíssima e que era desconhecida até o momento foi a “inauguração do Banco Cruzeiro do Sul”, em 29 de abril de 1951. Durante nossas pesquisas, somente tínhamos tomado conhecimento da existência do Banco Central dos Municípios, cuja falência gerou perturbações que foram motivo de interesse da imprensa de S. Paulo por alguns dias, e o Banco Artur Scatena, que foi sucedido pelo Comind. Quando a este Cruzeiro do Sul, não encontramos até este momento informações relevantes, mas iremos abordar este assunto em outra oportunidade. 

Corpus Christi, que é uma data de importância para a Igreja, de acordo com a lei municipal de 1949, tinha se tornado feriado, como reflexo da obrigação definida pela lei federal. Descrevendo as festividades deste período, o autor dos registros destaca que “para carregar o pálio foram convidados todos os membros da Câmara Municipal”. 

Não se sabe se todos participaram, mas seria uma concorrência interessante, pois naquele momento o Legislativo de Cordeirópolis compunha-se de treze vereadores. O feriado municipal de 13 de junho só teve uma missa, bastante concorrida, devido à existência dele. A festa em si foi transferida para setembro. 

Em outro feriado municipal que vigorou até 1967, 15 de agosto, o cronista destaca que na “primeira festa da Assunção depois da proclamação do mesmo dogma, foram celebradas três missas: às 7 e 10 horas na Matriz e às 9 horas na Capela do Bom Jesus. Apesar da festa de Cascalho, donde a Assunção é padroeira e atrai muita gente, as missas na paróquia estiveram bem frequentadas.” 

O tópico seguinte é destaque pelo fato de se citar, pela primeira vez, a presença da capela particular da Chácara Lydia, de propriedade do Sr. Ary Levy Pereira. Conforme excelente texto publicado citado acima, a devoção a N. S. Aparecida gerou o culto a uma imagem que, da propriedade citada, foi transferida posteriormente à Rua Flamínio Levy, quando esta se transformou na Vila Nossa Senhora Aparecida. 

Outro fato relevante citado neste período, e que compreende o paroquiato do Padre Santo Armelin, é o suicídio do então vereador e comerciante Adolpho Fratini, grande colaborador da Igreja no período, e que impactou a vida do pároco na forma do texto abaixo:

“Como já estava abalado pelo suicídio do seu grande amigo Nico (Adolfo) Fratini, dia 2 de setembro, que em vez de voltar à igreja no dia seguinte para se confessar, como lhe pedira o Padre Santo, com o intuito de dar tempo ao tempo, pôs a cabeça debaixo do trem, não resistiu a mais este desgosto e deixou a paróquia”. Assim se encerra a descrição do paroquiato de Armelin, homenageado em uma rua com seu nome no Jardim Planalto. 

Em 10 de fevereiro de 1952, assume o Padre Nilo Romano Corsi, que ficará até 1955. O primeiro destaque do período é a colaboração de dois empresários locais, Carlos Hespanhol, comerciante estabelecido à Rua 7 de Setembro, e Angelo Mazutti, vereador da primeira legislatura e proprietário de uma marcenaria. Ambos são lembrados por contribuirem financeiramente na compra de uma imagem e um esquife representando o Senhor Morto, utilizada na Semana Santa, que também foi transmitida pelo SAFA (Serviço de Alto Falantes América), sendo locutor Angelo Pagotto, vereador das primeiras legislaturas. 

Em 25 de maio, destacam-se as colaboradoras da Cruzada Eucarística Infantil: Janete de Godoy, Cecilia Pastore  e Maria de Lourdes Arrais, agora casada com Antonio Sepulador.  O festival foi organizado e dirigido por Leonor Marcicano, primeira-dama no período com um fato impressionante: “a procissão foi filmada pelo prof. Sebastião Ribeiro”. Existe alguma possibilidade de este filme ainda existir e em algum momento ser exibido?

Num dos períodos alternativos, a Festa de Santo Antonio foi realizada entre 6 a 21 de setembro. Destacam-se diversos nomes entre os organizadores, como Moacyr Dias, então vereador; Manoel Beraldo, industrial; João Módolo, Durval Alves, também vereador deste período, e gerente da Torção Cordeiro; Benedito Guimarães Cruz, farmacêutico; Angelo Bettin, João Roveda Sobrinho e Valentim Mascarin, proprietário de uma tradicional loja no Centro. 

O último destaque do ano é a realização das eleições para Prefeito, que foram realizadas em 7 de dezembro de 1952, para um mandato que começaria no dia 27 de março. Foi realizada uma homenagem ao vigário, pelo seu quinto ano de ordenação,  fazendo discursos no momento o prof. Bento Avelino Lordello, à época presidente do Legislativo em fim de mandato, e Antonio Cicolin. 

Depois de uma breve referência ao Banco Cruzeiro do Sul, que possivelmente teve curta duração, cita-se em 8 de março de 1953 a inauguração do Banco Arthur Scatena, onde o vigário deu ab ênção no recinto, em companhia do prefeito eleito, Cássio de Freitas Levy, e sua esposa, Nelly Masutti Levy. Em seguida, foi distribuído chope na Sede Social Católica, atual Centro de Pastoral.  

Um ponto interessante é parece que o “SAFA” só funcionava para transmitir as cerimônias da igreja. Em 31 de maio, foi colocada a pedra fundamental da nova Sede Social Católica e adquirida uma nova imagem de Santo Antonio, “oferta do Sr. João Crisóstomo de Toledo”, esposo de Uarde Abrahão de Campos Toledo, comerciante na então Praça João Pessoa. 

No ano de 1954, o ponto interessante é a chegada de uma “Imagem Peregrina”, onde as ruas foram enfeitadas com arcos de bambu e lanternas, as famílias enfeitaram suas casas e “da Prefeitura Municipal veio valioso auxílio de trabalhadores”, tradição que se estende até hoje, misturando o Poder Público e a religião católica de forma bastante questionável. Pela primeira vez, segundo anotação no livro, foi feita a comemoração de Santo Antonio no seu dia adequado, 13 de junho, que já era feriado municipal há alguns anos. 

Em 1955, a referência interessante é a “formatura do SESI”, um curso de corte e costura que funciou por período desconhecido na cidade. Segundo as anotações do período, no dia 29 de janeiro houve missa festiva por ocasião da formatura de mais uma turma do SESI, onde houve poucas comunhões e à tarde deram um baile no Cordeiro Clube, onde as moças teriam trajado “vestidos pouco modestos”, gerando a reprovação do vigário. A despedida de Nilo Romano Corsi foi feita em 15 de março daquele ano, encerrando seu curto período. 

Em 20 de março assume a paróquia Mario Zocchio Pasotto, autor do livro e compilador das anotações do Livro Tombo, empossado na missa das 10 da manhã. Assinaram a ata de posse do pároco o prefeito de então Dr. Cássio de Freitas Levy,  o Dr. Luiz Cardinalli, o prof. Bento Avelino Lordello, Felicio Vitte, o tradicional comerciante Carlos Hespanhol, Angelo Luiz Vidoretti e outro tradicional comerciante da cidade, Valentim Mascarin. 

Segue-se uma descrição interessante da implantação do Cinema da Sede Social Católica. O local contava com palco assoalhado e 240 poltronas, “usadas e pregadas em tábuas, formando blocos de oito (…). Foram compradas da massa falida do cinema do filho de um industrial de Limeira por interferência do Sr. Dante Moscardi, inspetor de seguros. (…) A cortina do palco era de bordô escuro com desenhos simétricos e o serviço técnico de movimentação era feito por Manoel Loureiro. 

No ano de 1956, o único destaque é a opinião de Pasotto sobre o período eleitoral que antecedeu as eleições municipais para o mandato a se iniciar em 27 de março de 1957: “A nota característica deste fim de ano (…) tem sido a campanha imunda de difamação recíproca de nossos grandes políticos. Se confiarmos na propaganada, não há ninguém de reputação impoluta e o interessante é que, o açodamento com que se acusam, sem muito cuidar de defesas, dá a impressão que, afinal, todos reconhecem os crimes que lhes são imputados ou confiam no discernimento do povo para julgar o que é falso e calunioso”.  Ao contrário da legislatura anterior, as eleições se realizaram em 10 de março, elegendo-se “sem surpresas” para Prefeito o Sr. Jamil Abrahão Saad e para Vice-Prefeito o Sr. Pedro Antonio Hespanhol. 

Outro fato marcante do período é a “morte repentina do jovem Valentim Spolador, na tarde da segunda-feira de Carnaval, [4 de março] que veio obrigar os clubes a suspenderem os bailes durante este Carnaval e adiarem os concursos instituídos. Mas ambos puseram à disposição dos seus dançarinos, condução para poderem ir dançar em Rio Claro”. 

Também vale destaque no ano de 1957 o falecimento do farmacêutico José Moreira, esposo da professora Amália Malheiro Moreira. Segundo a nota do autor,  Moreira foi “um dos grandes benfeitores da paróquia, tendo a felicidade de comungar todos os dias de sua longa doença, em sua casa, pelas mãos do pároco, inclusive no dia de sua morte”. 

Voltando às referências pessoais, Pasotto destaca as festividades do Natal daquele ano, dizendo que naquele dia houve missa às 7 horas e à tarde, pelas 15 horas, houve festa das crianças do catecismo e a parte artística ficou a cargo do coro dos meninos, acompanhado pelo Sr. Natal Cicolin, no violino, Anézia Cicolin, no harmônio, Leny de Mello no piano e Arlindo Bertanha no acordeão. Segundo a Wikipedia “harmônio é um instrumento musical de teclas, cujo funcionamento é muito similar ao de um órgão, mas sem os tubos que caracterizam este último. Apesar de feito para uso doméstico, tornou-se um instrumento musical de uso típico em igrejas, por seu tamanho e preço. O som do harmônio é parecido com o do acordeão.” 

Em 1959, o destaque do período é o falecimento do menino José Sérgio Vilalta no dia 16 de agosto, domingo, às 13 horas, atropelado por um caminhão na hora da entrada do catecismo. “Teve o crânio esmagado, morrendo logo depois”. No mesmo dia, segundo as notas, o coral infantil apresentou-se no Colégio Puríssimo Coração de Maria em Rio Claro. Outro ponto deste período é a pavimentação das ruas da cidade, assunto que iremos abordar em artigo específico. 

Uma nota interessante é a discussão sobre o Carnaval e uma avaliação do cotidiano da época: “Aqui, o maior movimento é das crianças e [o Carnaval] é a única variante do ano ao futebol e ao cinema, e (…) as habituais rodinhas de esquina, de bares e similares. À noite, há os habituados aos bailes, (…) os que eternamente dançam valsa, toque a orquestra ou a banda o que tocar, e os que só pulam, porque não sabem fazer outra coisa. Há os que vão ver para gozar o espetáculo cômico e alegre.” 

Em 1960, registra-se a primeira reunião para construção da Nova Matriz, com pessoas que não foram citadas. O único destaque é a concordância de todos com o projeto, que incluia a igreja e uma Capela de S. Benedito, com exceção do Dr. Cássio de Freitas Levy, que seria eleito no ano seguinte para o segundo mandato como prefeito, que achava necessário esperar “dias melhores”. 

Conforme apontamos, alguns bancos citados e que existiram por algum período na cidade ainda não foram objeto de pesquisas maiores, ao contrário do Banco Central dos Municípios, que “faliu fraudulentamente, levando as economias de muitos pobres e remediados de Cordeirópolis e de Cascalho”, adiando a campanha para a construção da nova igreja. O fato teve grande repercussão na imprensa estadual e ficou na memória dos contemporâneos. Outro ponto relevante é a transferência da data de comemoração de Nossa Senhora Aparecida para outubro, onde continua até hoje. 

Voltando às pessoas envolvidas na comunidade, destacamos os membros da diretoria da Congregação Mariana em 1961: José Alexandre Celotti, presidente; Ademar Módolo, secretário e Antonio Zanarelli, tesoureiro. Outro fato relevante do período é o falecimento do prof. Jorge Fernandes, diretor aposentado do Grupo Escolar Coronel José Levy e vereador em duas legislaturas, com “grande participação na vida da comunidade, apesar de todos os tropeços da vida que lhe reservou um triste fim”.  As eleições para o mandato a se iniciar em 27 de março daquele ano foram feitas no dia 6 do mesmo mês e tiveram como vitorioso para prefeito o Dr. Cássio de Freitas Levy e como vice-prefeito Luiz Beraldo, derrotando a chapa composta por Bento Avelino Lordello e Angelo Bettin. 

A partir deste período, com a preocupação voltada para a construção da nova igreja, as referências a membros da comunidade são múltiplas e extrapolam o que foi convencionado para a recuperação dos fatos inscritos no livro. 

Como se sabe, a igreja terá suas obras finalizadas em 1971 e o padre Mário Pasotto estará à frente da paróquia até 1976. Depois de alguns anos com responsáveis de curta duração, iniciou-se o longuíssimo paroquiato do Padre Antonio Rodrigues de Miranda, que vai do final da década de 1970 até a segunda metade desta década de 2010, encerrado definitivamente com seu falecimento em 14 de dezembro de 2017.
 Revivendo História - Portal Cordero Virtual
Revivendo História
Por: Paulo César Tamiazo - Historiador - MTE nº 713/SP
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis - https://orcid.org/0000-0003-2632-6546
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