115 anos da energia elétrica em Cordeirópolis - Portal Cordero Virtual
10/08/2018 09:30:42

115 anos da energia elétrica em Cordeirópolis

“Se meus inimigos pararem de dizer mentiras (...), eu paro de dizer verdades (...).” – Adlai Stevenson

Não fosse por uma publicação da antiga CESP (Centrais Elétricas de São Paulo), a partir do acervo da antiga S/A Centrais Elétricas de Rio Claro (SACERC), não teríamos como saber quando a energia elétrica chegou ao então distrito de Cordeiro. 

Conforme já destacamos há cinco anos, “segundo a publicação “História da Energia Elétrica em São Paulo – S.A. Central Elétrica Rio Claro”, editada pela CESP e pelo IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP, em 1986, os representantes legais do então distrito de Cordeiro assinaram contrato com a companhia em 1903.”

Naquele momento, com o início das pesquisas no acervo do jornal “Correio Paulistano”, cujos exemplares foram arquivados e posteriormente microfilmados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, conseguimos, pela primeira vez, determinar com mais precisão o início da energia elétrica no distrito. Lembramos mais uma vez que o Bairro do Cascalho, com uma distância pequena em relação à sede, só conseguiu a energia dez anos depois. 

Há alguns anos, foi encontrada uma referência no jornal “Correio Paulistano” de 24 de julho de 1903, cuja nota, na coluna dedicada a Limeira, delimita com mais clareza o início da história da energia elétrica em Cordeiro:
“Até 15 de agosto realizar-se-á a inauguração oficial da Luz elétrica no vizinho districto de Cordeiros.” 

Recentemente, pesquisa realizada no acervo do jornal “O Estado de São Paulo” permitiu acrescentar novos dados aos acontecimentos. Na edição de 25 de dezembro de 1913, encontram-se dados sobre o pedido da S.A. Central Elétrica Rio Claro, que solicitava três meses de prazo para a inauguração da luz em Cascalho. 

Aprovado o seu requerimento, era exigido da empresa que cedesse gratuitamente 10 lâmpadas de “mil velas” e um motor de 10 cv para “elevar à parte alta de Cordeiro a água do abastecimento local”. 

Entretanto, só pudemos ter condições de entender com detalhes o que estava acontecendo com a disponibilização, pela internet, de exemplares do acervo digitalizado de um jornal de Rio Claro, chamado “O Alpha”, que teria circulado entre 1901 e 1928 e, nas suas edições, encontram-se várias notícias relacionadas ao distrito de Cordeiro. 

Graças à brilhante colaboração de Clodoaldo Fontanetti, rio-clarense que se encontra atualmente na Europa, foram liberados três recortes específicos sobre a movimentação para a instalação da luz elétrica, de acordo com reportagem do dia 9 de agosto de 1903.

Conforme o relato, “na noite de 2 do corrente, foi feita a primeira experiência da luz elétrica nesta localidade [de Cordeiro]. O dr. [Egon von] Frankenberg, gerente da Central Elétrica Rio Claro, abriu o registro do transformador e imediatamente a luz surgiu clara, firme, com força de 127 volts. Essa voltagem, às 8.30 da noite, se elevou a 136.”

A reportagem continua dizendo que “foi grande o contentamento dos cordeirenses, ao ver realizado esse melhoramento que teve o maior êxito, logo na primeira experiência. Numerosas eram as pessoas que percorriam as ruas.”

A implantação da energia elétrica em Cordeiro naquela época, sem dúvida, teve a ação do Poder Público na sua efetivação, mas tinha por objetivo, antes de tudo, atender as grandes fazendas que estavam situadas em torno do distrito. Mesmo sendo um feito de responsabilidade de uma empresa particular, não faltou oportunidade para que as “autoridades locais” se aproveitassem da situação. 

Diz mais o jornal: “Momentos depois chegaram da fazenda Ibicaba o srs. Dr. Joaquim Augusto de Barros Penteado, digníssimo intendente municipal e os capitães José Levy, Joaquim Manoel Pereira e José La Farina (...)” Barros Penteado era proprietário de fazendas na região, especialmente Iracemápolis, José La Farina era um funcionário da Companhia Paulista de Estradas de Ferro que morou por um período na cidade, tendo falecido há aproximadamente cem anos.

José Levy e Joaquim Manoel Pereira eram membros da família proprietária da Fazenda Ibicaba que, com sua grandeza e força econômica, fazia sombra à pequena povoação, que era espremida por um lado por suas terras, pelo outro pela ferrovia e pelos outros, por pequenos sítios, sucessores dos antigos donos da misteriosa Fazenda Cordeiro. 

Parece que naquele momento o poder concedente era o municipal, pois em seguida “depois de ter sido examinado pelo dr. Intendente municipal, o transformador da luz, e após averiguado o ótimo resultado da experiencia, o capitão José La Farina convidou ao srs. Dr. Joaquim de Barros Penteado, capitães José Levy e Joaquim Manoel Pereira, dr. Frankenberg e outras pessoas para acompanha-lo até a sua residência, onde ofereceu aos ilustres convidados um copo de cerveja (...)” 

Como era praxe na época, em momentos festivos sempre havia uma banda de música. Neste caso, compareceu a “correta corporação musical 7 de Setembro, dirigida pelo sr. Bernardo Barroso”, que “percorreu as ruas da localidade, executando escolhidas peças de seu vasto repertório”, e ao mesmo tempo “grupos de populares davam vivas à zelosa municipalidade de Limeira e ao gerente da Central Elétrica de Rio Claro”. 

Como já tínhamos verificado em outras referências, “a inauguração da luz” seria feita no dia 15 do corrente. Também houve “experiência da luz na fazenda Ibicaba, obtendo-se o mesmo resultado”. Como se vê, a população da cidade foi beneficiada devido a questões legais, pois um contrato não poderia ser assinado especificamente com um particular, mas com uma comunidade. 

No fundo disso tudo, o esforço da Central Elétrica de Rio Claro tinha por objetivo beneficiar os particulares que, coincidentemente, tinham cargos públicos naquele momento: os “capitães” José Levy e Joaquim Manoel Pereira, sócios-proprietários da Fazenda Ibicaba, fazenda com mais de mil alqueires que resistirá intacta por alguns anos após o falecimento do seu principal proprietário. 

Intendente municipal era o nome que se dava ao atual Prefeito Municipal, que começou a ser chamado assim a partir de 1908, com a implementação da Lei Estadual nº 1038, de 19 de dezembro de 1906, que tratava da organização municipal. 

Segundo o CPDOC-FGV, “Joaquim Augusto de Barros Penteado nasceu em Limeira em 3 de agosto de 1872, filho de Manoel de Toledo Barros e Maria Augusta Penteado de Barros”. Seu pai foi Chefe do Executivo de Limeira entre 1888 e 1900, sendo homenageado em uma das mais antigas ruas de Cordeirópolis. 

Formou-se em Direito em 1894 pelo Faculdade do Largo de São Francisco, retornando a Limeira. Foi eleito pela primeira vez para a Câmara em 1895, reelegendo-se até 1902. Em 1904, foi eleito deputado estadual e em 1906, deputado federal, onde permaneceu até 1923. 

Não conseguindo se reeleger na área federal, foi eleito Senador Estadual, para o período de 1925 a 1927. Foi proprietário do jornal “O Limeirense” e faleceu em 3 de abril de 1949, poucos dias após à instalação do Município de Cordeirópolis. 

Conforme apontamos naquela oportunidade, o serviço prestado pela Central Elétrica de Rio Claro não atendia às necessidades da população e especialmente do setor industrial da cidade. 

Ficaram famosos os protestos, realizados na forma de “enterro simbólico” do então presidente da empresa, Eloy Chaves, devido às constantes interrupções de energia que forçavam as empresas locais a dispensarem seus empregados, devido à incerteza do retorno do fornecimento. 

Entretanto, quando do seu falecimento, Eloy Chaves foi homenageado na primeira rua do loteamento Vila Nossa Senhora Aparecida, através da Lei Municipal nº 389, de 18 de junho de 1964.

Aproveitando a oportunidade, apresentamos neste texto sua biografia. De acordo com o CPDOC-FGV. Eloi de Miranda Chaves nasceu em Pindamonhangaba em 27 de dezembro de 1876, formando-se em Direito em 1896. Tornando-se promotor de Justiça, foi removido para Jundiaí, onde abriu escritório de advocacia, foi eleito vereador e Presidente da Câmara Municipal daquela cidade. 
Foi também eleito deputado federal entre 1903 e 1914. Foi também Secretário Estadual da Justiça e da Segurança Pública, e da Agricultura. Em 1919, foi eleito novamente deputado federal, onde permaneceu até 1930. Neste período, apresentou o projeto que permitiu a criação da “Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários”, que com o tempo se transformou no INPS, atual INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). 

Na área empresarial, fundou a Empresa de Luz e Força de Jundiaí em 1902, construindo hidrelétricas naquela cidade. Em 1912, adquiriu a Central Elétrica de Rio Claro, promovendo a construção de nove hidrelétricas, uma usina térmica, mais de mil quilômetros de linhas de transmissão e quinhentos de distribuição. 

Em 1923, comprou também a Empresa Água, Força e Luz de Mogi Mirim e associou-se à Empresa Melhoramentos de Mogi Guaçu, vendendo-as anos depois para a Light. Seu pioneirismo e esforço na área da energia elétrica renderam-lhe homenagens, como os títulos de cidadania em Rio Claro e Jundiaí. Morreu em 18 de abril de 1964, sendo seu nome dado a uma escola pública em Jundiaí e diversas ruas no interior, e também em Cordeirópolis. 

Após o movimento civil-militar de 1964, e a falta de capacidade das empresas nacionais em atender à demanda de energia elétrica, bem como o interesse em neutralizar as empresas estrangeiras que ainda eram proprietárias no Brasil, foi decidido que o Estado deveria incorporar todas as companhias particulares existentes de energia elétrica, o que foi feito com a Central Elétrica de Rio Claro, adquirida pela CESP (Centrais Elétricas de São Paulo), de propriedade do Governo do Estado de São Paulo. 

Na década de 1990, a companhia foi privatizada e opera ainda hoje sob o nome de Elektro, controlada pela empresa espanhola Iberdrola, em sociedade com o fundo de pensão Previ e BB-BI (Banco do Brasil Banco de Investimentos).
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Revivendo História
Por: Paulo Tamiazo
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis

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