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 Quantos anos tem o antigo Horto Florestal de Cordeirópolis? - Portal Cordero Virtual

Quantos anos tem o antigo Horto Florestal de Cordeirópolis?

27/01/2018 09:29:38
Recentemente, a Prefeitura de Cordeirópolis incluiu, dentre as 70 ações relacionadas ao aniversário de emancipação do município, comemorado neste ano, a "Comemoração dos 100 anos do Horto Florestal", dentro da série de iniciativas denominadas "Pensando no futuro da Natureza". 

Antes de mais nada, vale lembrar que não existe mais o Horto Florestal da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, sucedida pela FEPASA (Ferrovias Paulistas S/A) e pela RFFSA (Rede Ferroviária Federal). Nos últimos vinte anos, o antigo horto se transformou no "Assentamento Cordeirópolis", com área de 261,76 hectares, vinculado ao ITESP - Instituto de Terras do Estado de São Paulo.

Dito isto, vamos analisar, com base em Relatórios da Diretoria da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em que período realmente o Horto Florestal de Cordeiro foi efetivamente implantado. 

De acordo com publicação realizada na revista "Arquivos do Serviço Florestal", vol. 12, p. 16, "o Serviço Florestal de Companhia Paulista de Estradas de Ferro" em 1957, compreendia "dezoito Hortos", com bons resultados há quarenta nos, ou seja, em 1917, baseado nos trabalhos realizados pelo silvicultor e pesquisador Dr. Edmundo Navarro de Andrade. 

O principal estudioso do tema neste século XXI, Jerônimo Martini, apresenta uma relação dos Hortos Florestais implantados pela antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro no período 1906 a 1940, indicando que o Horto de Rio Claro, denominado "Edmundo Navarro de Andrade", atualmente FEENA (Floresta Estadual Navarro de Andrade), foi instituído em 1909, após os hortos Boa Vista, em Campinas (1906) e Loreto, em Araras (1909). 

No decorrer deste texto estão reproduzidas algumas páginas do Album Ilustrado da Companhia Paulista, publicado em 1918, destacando as referências à Estação de Cordeiro e aos hortos florestais existentes.

Na década seguinte, segundo a relação, teriam sido implantados os hortos de Tatu, em Limeira (1915); Camaquã, em Ipeuna (1917), Sumaré (antigamente Rebouças), em Sumaré (1918) e Cordeirópolis (antigamente Cordeiro), em 1918. Com relação a Sumaré, seus 100 anos foram comemorados no último mês de outubro, em evento realizado pela Prefeitura daquela cidade, em conjunto com uma "Associação Pró-Memória". 

Devido ao aumento no preço do carvão mineral, usado como combustível nas locomotivas antes da eletrificação, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, após estudos técnicos realizados pelo engº Navarro de Andrade, optou por realizar o plantio de eucaliptos, servindo também para a fabricação de dormentes, que são os apoios colocados debaixo dos trilhos.

A preocupação também era com a devastação da mata nativa, cujas árvores eram usadas anteriormente para estes fins. Além de tudo isso, o plantio de eucaliptos se configurou um excelente negócio, devido a alto consumo de madeira na construção civil e para atendimento das próprias necessidades, segundo a literatura consagrada.

Para procurar entender o período de implantação e início do funcionamento do antigo Horto Florestal de Cordeirópolis, vamos destacar os trechos dos Relatórios da Companhia Paulista de Estradas de Ferro aos seus acionistas, publicados no período entre 1916 e 1919, referentes aos trabalhos realizados nos anos anteriores (1915 a 1918). 

Balizando o início dos trabalhos em 1904, o Relatório de 1916 indica que "em maio de 1915, (...) as maiores plantações de eucaliptos feitos no Horto de Jundiaí (...)" completaram dez anos, atingindo o limite mínimo para início da exploração destas árvores, visando a aplicação inicial em "dormentes de estradas de ferro". Naquele momento, era "a primeira vez em que no Brasil" se exploravam "essências florestais plantadas para fins industriais". 

Os eucaliptos que atingiram dez anos de idade, segundo experimentação realizada pelo setor de "Locomoção", teve como resultado que "a sua combustão, efeito calorífico e consumo" eram praticamente equivalentes às boas lenhas então usadas. À vista destes resultados animadores, a Companhia passa a expandir o programa. 

De acordo com o Relatório, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro adquiriu, durante o período abordado, "mais três propriedades agrícolas" situadas à margem das linhas férreas: "a fazenda de Camaquan, sita á margem da nova linha de Rio Claro a Itirapina, com 250 alqueires de terra, dos quais 120 cobertos de excelentes matas", além de pés de café, três casas e demais benfeitorias; "a fazenda de Tatu, no município de Limeira, com 310 alqueires de terra, dos quais 50 cobertos de mata virgem", além de pés de café novos, casa de morada, casas para empregados, animais e benfeitorias e "a grande Fazenda de Santo Antonio, situada junto à cidade de Rio Claro, com cerca de 720 alqueires de terra, dos quais 150 ocupados por matas, além de pés de café em colheita, casa de morada, para empregados e colonos, de máquinas, benefício de café, terreiro ladrilhado, tulhas, paióis e estrebarias". 

No Relatório de 1917, o Serviço Florestal é descrito desta forma: "tem a seu cargo os hortos de Jundiaí, Boa Vista, Tatu, Loreto, Rio Claro e Camaquã", medindo 2.553 alqueires de terra. Destaca que a partir de 1909 teria começado a cultura florestal em maior escala, achando-se plantados em 31 de março daquele ano 922 alqueires. 

No Relatório apresentado em 1º de abril de 1918, o "Serviço Florestal" é descrito como uma estrutura que "tem a seu cargo os hortos de Jundiaí, Boa Vista, Rebouças, Tatu, Cordeiro, Loreto, Rio Claro e Camaquã", numa área total de 2.966 alqueires. Portanto, conclui-se que durante o ano de 1917 foram implantados os hortos florestais de Rebouças (atualmente Sumaré) e Cordeiro (atualmente Cordeirópolis). Segundo a relação apresentada, o primeiro tinha área de 310 alqueires (ou 750 hectares) e o segundo, 107,25 alqueires (ou 259,5 hectares).

Segundo um gráfico apresentado na página seguinte do relatório, em 31 de março de 1917, referente ao ano de 1916, ainda não haviam sido implantados nem o Horto de Cordeirópolis nem o de Sumaré. De acordo com dados obtidos em pesquisa na internet, o Horto de Sumaré foi inaugurado em outubro de 1917. O Horto Florestal de Cordeiro certamente foi implantado durante o ano de 1917, e contava em 31 de março de 1918, com 80 mil pés de eucaliptos. Como comparação, o horto de Tatu, no seu estágio inicial, no ano de 1916, contava com somente 28 mil pés. 

Em seguida, são apresentadas as despesas realizadas com os hortos florestais em funcionamento naquele período: no caso de Sumaré (Rebouças), as despesas foram pequenas, no valor de pouco mais de Rs. 1:300$000, ao contrário de Cordeiro, que estava dando lucro de Rs. 2:288$600, proveniente da venda de "lenha dos matos ali existentes", o que produziu rendimento de Rs. 7:476$600, permitindo o "pagamento de todas as despesas de plantação dos eucaliptos ali feitas até 31 de dezembro último", ou seja, 1917. 

No último relatório que nos interessa no período, ou seja, o emitido em 1919, apresenta-se o "Serviço Florestal" com os "hortos de Jundiaí, Boa Vista, Rebouças, Tatu, Cordeiro, Loreto, Rio Claro e Camaquã", portanto, todos eles estabelecidos e em pleno funcionamento. 

Enfim, é louvável a comemoração do centenário de um local que já não é mais o mesmo, mas é de se discutir em que momento isto deveria ser feito.
Fotos dos hortos florestais constituídos em Boa Vista (Campinas), Loreto (Araras) e Rio Claro
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Duas fotos da estação de Cordeiro há cem anos: linha tronco e Ramal de Araras
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 Revivendo História - Portal Cordero Virtual
Revivendo História
Por: Paulo César Tamiazo - Historiador - MTE nº 713/SP
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis - https://orcid.org/0000-0003-2632-6546
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