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 As Escolas Reunidas e o Grupo Escolar de Cordeiro (1913-1935) - Portal Cordero Virtual

As Escolas Reunidas e o Grupo Escolar de Cordeiro (1913-1935)

24/05/2017 23:32:05
Este texto visa divulgar e comentar as descobertas realizadas no acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, disponibilizado na internet, referentes às reportagens relacionadas à atual Escola Estadual Coronel José Levy, que se originou das Escolas Reunidas de Cordeiro, posteriormente transformadas no Grupo Escolar de Cordeiro. 

Uma das notícias publicadas no “Correio Paulistano” de 13 de abril de 1913 foi a intenção de doação de um terreno para que fosse edificado o prédio das Escolas Reunidas de Cordeiro. O correspondente dizia que os líderes políticos da localidade, capitão Joaquim Manoel Pereira, coronel José Levy e “outros” iriam doar à Câmara Municipal de Limeira um terreno para que fosse transmitido ao Governo do Estado. Neste período consta que o Prefeito de Limeira era o major José Levy Sobrinho e a doação efetivamente aconteceu em 1914. 

Nesta mesma reportagem, consta a aquisição de um terreno próprio para construção do matadouro municipal em Cordeiro, o que de fato ocorreu, de acordo com escritura feita no Cartório de Paz de Cordeiro, atualmente Tabelionato de Notas e Protesto de Cordeirópolis. 

Também é falado que estaria “quase pronto” o novo edifício destinado à cadeia pública, mandado construir pelo Governo do Estado, o que também ocorreu, conforme já apontamos em outra oportunidade. O prédio, depois de passar mais de 60 anos sem reformas, foi interditado, demolido, e no seu lugar foi construído o prédio que atualmente se encontra a Delegacia de Polícia de Cordeirópolis, modificado com diversas reformas e ampliações. 

Dois pontos que representam “informações novas”, em comparação com o que foi descoberto nos últimos anos, são: o anúncio de que estavam “em construção os modernos exgottos nas ruas”, mandados fazer pela Câmara Municipal e que estaria quase “completo o encanamento de água potável”, que a municipalidade mandou pôr em todas as casas. 
Infelizmente, devido à falta de acesso aos jornais de Limeira nesta época, e na inexistência de outras informações nos repositórios digitais até agora consultados, não podemos confirmar se isto efetivamente ocorreu neste período. A única certeza era de que as únicas repartições públicas estaduais com sede própria, ou seja, o Grupo Escolar e a Sub-Delegacia de Polícia, sempre contaram com instalações sanitárias adequadas. 

Em 1º de fevereiro de 1917, o jornal “O Estado de São Paulo” publica grande quantidade de notas relacionadas a Limeira, dentre as quais duas de bastante interesse, e que não tinham sido descobertas nos últimos anos. 
A primeira dá conta de que tinha sido “nomeado para o cargo de guarda da represa de águas de Cascalho” o Sr. Luiz Salles Pupo Júnior. A segunda, que é o que mais interessa para este artigo, é a noticia de que 
“constando no orçamento do Estado deste ano uma verba de 15 contos para a construção do edifício das escolas reunidas de Cordeiro, o Sr. Dr. Prefeito Municipal oficiou ao Sr. Secretário do Interior, solicitando que fossem chamados concorrentes para a execução das obras, estando desde já, à disposição dos interessados na Prefeitura, a planta e orçamento organizados pela Secretaria de Agricultura”.     

Conforme já apontamos em outras oportunidades, a imprensa estadual destacou a inauguração das “escolas reunidas de Cordeiro”, mas num prédio alugado. Para a inauguração, seguiria “em carro reservado ligado ao trem das 7 horas”, os srs. Dr. Altino Arantes, presidente do Estado, acompanhado (...) do dr. Oscar Rodrigues Alves, secretário do Interior. Após a cerimônia, a comitiva seguiria para Limeira, onde seria oferecido um almoço. 

Em 13 de outubro, são publicadas diversas notícias sobre Cordeiro, das quais uma é de interesse para nosso artigo. Mas por serem bastante interessantes e significativas, vamos descrever o que foi noticiado no “Correio Paulistano” deste dia. 

O jornal reflete a publicação do jornal “O Limeirense”, informando que a Prefeitura estaria chamando concorrentes para a construção do prédio destinado às Escolas Reunidas. Esta informação é bastante importante, uma vez que foi declarado, anos antes, que os particulares estariam doando à municipalidade um terreno, que depois seria transferido para o Estado, para a construção, por ele, do prédio das Escolas Reunidas. Esta nota e o edital da página posterior modificam o entendimento sobre o assunto que havia até agora. 

Nesta série de notas enviadas pelo correspondente anônimo do jornal, destacam-se: a contratação, com Francisco Cascaldi, da “continuação do calçamento da rua Toledo Barros”, cuja benfeitoria era creditada ao capitão Joaquim Manoel Pereira, vereador na Câmara Municipal de Limeira. Conforme apontamos em outro texto, o calçamento da rua foi transferido, mais de quarenta anos depois, para a Avenida Cascalho, quando do asfaltamento do centro de Cordeirópolis. 

Com bastante antecedência, era divulgado que no dia 2 de novembro, dia de Finados, seria rezada missa pelo. Cônego Masciaro, vigário da paróquia local, no Cemitério Municipal. Outra nota interessante é o registro de “reiteradas reclamações da imprensa e do público” devido à falta de construção de uma escada, que daria acesso ao viaduto que atravessa a ferrovia. Como apontamos em outra oportunidade, o viaduto sobre a linha ferroviária foi inaugurado há 101 anos, ou seja, em junho de 1916. 

Uma nota importantíssima desta edição do Correio é a remoção do então escrivão do cartório de paz de Cordeiro, José Reginato, para Jacareí, onde passaria a exercer o cargo de oficial do registro de imóveis daquela comarca, ou como era chamado à época, “registo geral de hypothecas e annexos”. Alguns anos atrás, foi publicado a inestimável foto dos alunos da escola particular que era custeada pela esposa do cartorário, em virtude da grande população do distrito que não encontrava vaga na escola pública local. 

Outra nota interessante é a multa que teriam levado, por infração ao código de posturas municipais, os senhores A. Baroni & Cia e Maurício de Oliveira Campos. A única certeza é que o primeiro proprietário, como apontamos anteriormente, tinha uma fábrica de fogos que sofreu acidente. Quando ao segundo, não temos informações sobre quem seja, mas há possibilidade de estar ligado à administração da própria fábrica de fogos. 

Em outra página da mesma edição, aparece a publicação oficial da Câmara Municipal de Limeira informando o recebimento de propostas visando a “construção do edifício para as escolas reunidas de Cordeiro”, onde seriam aceitas “por quinze dias a partir de 8 de outubro, no horário das 11 às 13 horas, de acordo com a planta e demais detalhes ai existentes, estando à disposição dos interessados para lhes ministrar informações a respeito”. 

As escolas reunidas de Cordeiro também são assunto do jornal anarquista “O Combate”, em sua edição de 27 de abril de 1920 onde se destaca que “em reunião realizada na sede das Escolas Reunidas de Cordeiro”, sob a direção do Sr. Domingos Vizioli, teria sido fundado o “Patronato Escolar”, destinado a auxiliar aos alunos pobres. 

Outro ponto importante é que a construção do prédio próprio dessas escolas deveria ser iniciada por estes dias, tendo o Sr. Dr. Alberto Ferreira da Silva, prefeito de Limeira, doado já o material necessário para a feitura dos andaimes. Conforme se nota das duas reportagens, o prazo entre o início da licitação e o início das obras das escolas reunidas foi de praticamente seis meses. 

Em dezembro de 1920, foi publicado que no orçamento do Estado para 1921 estaria reservado mais um valor de Rs. 15:000$000 (quinze contos de reis) para construção do edifício destinado às escolas reunidas de Cordeiro, no município de Limeira, informação que já tínhamos divulgado desde os primeiros trabalhos de recuperação das informações sobre a cidade na Coleção de Leis e Decretos do Estado de São Paulo.   

De acordo com reportagem do jornal operário “Combate”, foi divulgado que, em 13 de outubro de 1921, seria paga a quantia de Rs. 2:394$000, ou seja, dois contos e trezentos e noventa e quatro mil réis ao Sr. Antonio Ferreira, referente à segunda prestação pelas obras de construção das Escolas Reunidas de Cordeiro. 

Três meses depois, em 18 de janeiro de 1922, o jornal “Correio Paulistano” comunica que estariam disponíveis, no Tesouro do Estado, os pagamentos autorizados pela Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas, em especial “ao Sr. Antonio Ferreira, pela entrega provisória das obras de acréscimos e conclusão das escolas reunidas de Cordeiro”

Uma nota de “A Gazeta” de 20 de janeiro de 1923 indicava que tinha sido remetido ao Secretário do Interior “o orçamento do valor de Rs. 30:000$000 (trinta contos de reis) para as obras de conclusão do edifício das escolas reunidas de Cordeiro”. Mas ela já não tinha sido concluída em janeiro de 1922?

Entretanto, em 16 de junho de 1923, volta o “Correio Paulistano” a publicar despacho do Tesouro do Estado, informando que iria realizar pagamentos, por requisição da Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas, desta vez ao Sr. Armio Paes Cruz, pelas “obras de conclusão das escolas reunidas de Cordeiro”. 

 Menos de dois anos depois, volta-se a falar das Escolas Reunidas de Cordeiro, quando, em 29 de março de 1925 teria sido autorizada a Secretaria de Agricultura, Comércio de Obras Públicas a “mandar executar os serviços necessários” no prédio das escolas reunidas de Cordeiro.

Talvez os “serviços necessários” sejam a construção de “muro de fecho” nas Escolas Reunidas de Cordeiro, conforme aviso de concorrência publicado no “Correio Paulistano” em 3 de maio de 1925 pela Diretoria de Obras Públicas da Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, informando que as propostas seriam abertas no dia 20 daquele mês. Não se sabe o resultado da licitação. 

Neste ano de 1925 as Escolas Reunidas já tinham se transformado em Grupo Escolar, e as notícias ficam cada vez mais raras. As duas últimas se referem ao ano de 1935, onde o “Correio Paulistano” informava, na edição de 14 de novembro, que o governador do Estado tinha assinado decreto dando a denominação de “Coronel José Levy” ao Grupo Escolar de Cordeiro, em Limeira e em 15 de dezembro, que o Secretário de Viação e Obras Públicas tinha autorizado despesas de 2:364$000, ou seja, dois contos e trezentos e sessenta e quatro mil reis, para o Grupo Escolar de Cordeiro. 

Este artigo serve para lembrar quantas informações ainda não foram descobertas nos jornais antigos digitalizados pela Biblioteca Nacional, merecendo uma pesquisa mais aprofundada com o auxílio de outros interessados, para que mais dados sejam encontrados com rapidez, esperando que a importância do prédio das Escolas Reunidas de Cordeiro não seja desprezada pela comunidade escolar e pelos poderes públicos.
 Revivendo História - Portal Cordero Virtual
Revivendo História
Por: Paulo César Tamiazo - Historiador - MTE nº 713/SP
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis - https://orcid.org/0000-0003-2632-6546
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