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 Notícias sobre Cordeirópolis em novos jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional (1953-1977) - Portal Cordero Virtual

Notícias sobre Cordeirópolis em novos jornais da Hemeroteca da Biblioteca Nacional (1953-1977)

25/07/2021 17:49:55
Em diversas oportunidades, nos utilizamos do rico acervo dos jornais brasileiros hospedados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, publicando diversos artigos neste local durante os anos. Recentemente, verificamos que outras edições foram incluídas neste site, de onde pudemos recuperar mais citações sobre Cordeirópolis. 
O jornal “Correio Paulistano” iniciou suas atividades em 1854 e saiu de circulação em 1963, mas só agora os exemplares mais recentes foram disponibilizados. É do período entre 1942 e 1963 que vamos mostrar as referências sobre Cordeirópolis que conseguimos obter recentemente. 

De acordo com a Lei nº 233, de 16 de dezembro de 1959, o Município de Cordeirópolis foi autorizado a contrair empréstimo com a Caixa Econômica do Estado de São Paulo (CEESP) no valor de Cr$ 7,5 milhões para a pavimentação parcial da sede e construção de calçadas portuguesas. O prazo para pagamento seria de até cinco anos, com juros de 11% ao ano, dando como garantia as rendas das taxas de pavimentação e demais taxas do Município, inclusive o “excesso de arrecadação” devido pelo Estado.

Praticamente seis meses após a assinatura da lei pelo então prefeito Jamil Abrahão Saad (PSP), o jornal “Correio Paulistano” informava, na edição de 4 de junho de 1960, que no dia 10 vindouro seriam assinados os contratos de empréstimo de diversas cidades, dentre elas, Cordeirópolis. Este empréstimo permitiu a pavimentação do Centro da cidade, substituindo o calçamento de paralelepípedos na Rua Toledo Barros, cujas pedras foram transferidas para a Avenida Vilson Diório. A notícia foi novamente destacada na edição do dia 11, onde se repetiam os dados já citados. 
Ainda neste mesmo ano, destacam-se alguns fatos sobre Cordeirópolis neste mesmo jornal: na edição de 9 de fevereiro, a publicação do balanço do Banco Comércio e Indústria de São Paulo informa que no decorrer de 1959 a rede de filiais estava aumentada de mais 29 departamentos, transferidos do “Banco Mogiano do Comércio e Indústria”, controlado pelo Comind, dentre elas Cordeirópolis. A agência fechou em 1985, com a quebra do banco, e foi sucedida pelo Banco Real, ABN e Santander. 

A quebra da agência local do “Banco Central dos Municípios” foi noticiada durante dois dias pelo “Correio Paulistano”. A edição de 7 de setembro de 1960 noticiava na contracapa: “Delegado Ausente de Cordeirópolis”. Os enviados especiais do jornal ouviram o cabo Martins e o soldado Venâncio de Almeida, que faziam parte do destacamento que tentou apaziguar os ânimos da população que tentou invadir a sede do Banco Central dos Municípios, que ficava na então Praça João Pessoa, atual Comendador Jamil Abrahão Saad. 

Destacou também o jornal que o delegado de polícia local não se encontrava na cidade quando se verificaram os ataques e o então Vice-Prefeito, Pedro Antonio Hespanhol, que também possuía ações do banco, havia requerido concordata preventiva há um ano, em virtude da insolvência de sua firma de torrefação de café e foi agredido também por credores da sua firma e clientes do banco, que se sentiram lesados. 

Não só os particulares foram prejudicados. A Prefeitura Municipal tinha dinheiro depositado na agência local e só conseguiu reaver 70%, conforme demonstra a Lei nº 279, de 23 de maio de 1961, que autoriza a prefeitura a proceder um “acerto de contas” com o Banco Central dos Municípios, que requereu concordata. Ao mesmo tempo, a Lei nº 280, do mesmo dia, autorizava a prefeitura a receber do gerente da agência um copiador, uma máquina de somar e “um ou duas máquinas de escrever” como parte do pagamento do terreno da antiga agência bancária. Ou a terra na cidade valia muito pouco, ou os equipamentos eram muito valiosos... 

No dia seguinte, o “Correio Paulistano” continua dando destaque aos desdobramentos: corrigindo informação do dia anterior, esclarece que Pedro Hespanhol era dono de uma firma de compra e venda de café e devia milhões a diversos fazendeiros e pequenos lavradores, o que gerou a agressão. Lembrou também que tanto ele como o prefeito Jamil Abrahão Saad eram conselheiros do banco, de propriedade de Osvaldo Scatena. 
 
De acordo com o jornal, o delegado, chamado Ebert Izar, estava no Clube Atlético Juventus, “sede do carteado local”. O ex-vereador e ex-Presidente da Câmara Bento Avelino Lordello disse à reportagem que era naquele momento presidente da Cooperativa de Consumo, estava fora da política há anose também queria ver seu dinheiro de volta. 
No terceiro dia de destaque dos acontecimentos de Cordeirópolis, o “Correio Paulistano” informou que o delegado do “carteado” foi chamado à Secretaria de Segurança Pública e ele que estava solicitando reforço policial para evitar que fosse retirado da cadeia o ex-vereador e ex-Presidente da Câmara, Mario Zaia, que estava preso pelo desvio de recursos do SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social), que fornecia refeições subsidiadas e mantinha Postos de Subsistência, que vendiam gêneros de primeira necessidade a preço de curso. Em Cordeirópolis, ele foi instalado a partir de 1955 e deve ter funcionado por algum tempo. 

No ano seguinte, o “Correio Paulistano” destaca, na sua edição de 5 de julho de 1961, na coluna “Tabloide”, de Mauricio Loureiro Gama, o pedido do então colunista da Gazeta de Limeira, Olindo de Luca, que teria recebido uma comissão de profissionais pedindo a pavimentação da estrada Cordeirópolis-Limeira ou sua estadualização, o que segundo eles, geraria o florescimento de chácaras e sítios e a estrada teria laterais para carroças e pedestres. Como já abordamos em outra oportunidade, a pavimentação só viria 20 anos depois.

No penúltimo ano de funcionamento do jornal, a única referência é um anúncio da Caixa Econômica do Estado de São Paulo, na edição de 11 de abril de 1962, que informava a inauguração, naquela data, dos prédios próprios da agência de Cordeirópolis e Charqueada, e da instalação de agência em Iracemápolis. Posteriormente, a agência foi transferida para o local onde ainda se encontra, na Rua Visconde do Rio Branco. 

Uma nova coleção de jornais não tinha sido incluída nas pesquisas anteriores e ficou posteriormente disponível na Hemeroteca: a do Diário da Noite, jornal que funcionou entre 1925 e 1980, e que pertenceu a Assis Chateaubriand e dele vamos destacar o que foi encontrado sobre Cordeirópolis. 

O primeiro destaque do período é a nota “Incêndio num Auto após uma colisão”, na edição de 18 de dezembro de 1953, onde no dia anterior na Avenida São João, esquina da Rua Helvétia, um caminhão, conduzido por Geraldo Monezzi, empregado da Ceramica Santo Antonio, em Cordeirópolis, teria batido num táxi. A gasolina deste carro vazou e pego fogo, e a foto dele ilustrava a matéria. 
 
Na edição de 5 de novembro de 1956 encontra-se a nota “Dez milhões”, onde se informava que estavam nesse valor os prejuízos decorrentes do incêndio que destruiu a fábrica de papelão de Cordeirópolis, estampando uma foto da situação após o sinistro.  

A edição de 11 de março de 1957 mostra a realização de eleições municipais em diversas cidades, como Cordeirópolis e Santa Gertrudes, entre outras. A forma como eram realizadas as eleições na prática naquele período é atestada pela reportagem, dizendo: “Muito embora se observasse pouco interesse dos eleitores pelo pleito de ontem, o comparecimento chegou a ser surpreendente, pois a abstenção verificada é de apenas 30%. 

“Naturalmente, há uma explicação para justificar os 70% de presença às urnas, que é o trabalho desenvolvido dos candidatos, lançando mão de todos os recursos para atrair os eleitores, e mais notadamente, fazendo uso de transportes próprios, transformando-os em verdadeiros ´viveiros de eleitores´. Os mais beneficiados com a atitude dos candidatos foram os moradores das zonas rurais”. Esta prática esteve presente também na cidade até há pouco tempo. O destaque desta reportagem é a foto do então candidato Jamil Abrahão Saad assinando o livro de presença da votação. Ao lado um funcionário da mesa eleitoral. 
 

No dia 13, o mesmo jornal informa que Cordeirópolis estava entre os prefeitos cujos partidos eram oposição ao Governo do Estado, sendo 23 do PSP (Partido Social Progressista) de Adhemar de Barros e outros sete, dentre eles Artur Nogueira, Conchal e Corumbataí, que pertenciam a partidos como o PST, PDC, PR e PRP. No dia 15, o PDC (Partido Democrata Cristão) distribuiu nota informando que tinha elegido também o Vice-Prefeito de Cordeirópolis, Pedro Antonio Hespanhol. 

No ano seguinte, a cidade volta ser citada em duas oportunidades: na edição de 6 de outubro de 1958, onde se informava o resultado final de Cordeirópolis, onde o ex-governador Adhemar de Barros conseguiu 704 votos, contra 900 do governador eleito Carvalho Pinto e 152 votos para Auro de Moura Andrade. Naquele momento a cidade tinha 8 seções eleitorais. O resultado final foi repetido na edição seguinte. 

Em 1960, a cidade apareceu em diversas oportunidades. Reportagem de 24 de fevereiro informava que as eleições de 1961 em Cordeirópolis foram marcadas para 5 de março, sendo que em Santa Gertrudes a data fixada foi dia 26 do mesmo mês. Também se deu destaque à greve dos ferroviários da Companhia Paulista, designando-se delegados e policiais militares para a repressão do momento. A sede do Sindicato dos Ferroviários na cidade ficava onde é agora a loja “Cybelar”. A greve conseguiu a encampação da ferrovia pelo Governo do Estado, posteriormente transferida ao governo federal para privatização. 

A quebra do “Banco Central dos Municípios” foi destaque por dois dias no “Diário da Noite”. Em reportagem com foto citam-se 428 os prejudicados pela “falência fraudulenta” do Banco Central dos Municípios. A reportagem cita o fato de que o pai do gerente, Elmo Bergamini, teria levantado altos valores que não foram aplicados na cidade.

A reportagem também cita o dono do banco, que teria optado por comprar um terreno no Largo da Matriz para construção da sede própria da agência, mas o gerente queria que a escritura fosse passada pra ele, o que gerou reação dos vereadores, mas o prédio foi construído em seu nome e estava em disputa.

Disse mais a reportagem que “figurões do comércio e indústria de São Paulo”, em troca de dinheiro, emprestavam seus nomes para que figurassem como diretores deste estabelecimento de crédito cooperativo. Que neste dia a população teria se acalmado graças à intervenção do delegado Erbert Isar, permitindo que os móveis da residência do gerente fossem levados para a Capital, onde fugiu para salvar a sua pele. A foto mostra um soldado ferido e que teve suas roupas rasgadas durante os acontecimentos. A capa da edição deu destaque aos fatos. 

Outra nota interessante é da edição de 2 de dezembro de 1960, quando se destacam as peripécias da instalação da antena retransmissora da TV Tupi no Morro Azul, com foto do local. 
 
Já no ano de 1961, o único destaque é o comparecimento nas eleições de 5 de março: em Cordeirópolis, de 2.241 eleitores, votaram 2.026, uma frequência de mais de 90%. 

Depois de muitos anos, somente duas referências a Cordeirópolis constam das edições da década de 1970: em 2 de fevereiro de 1978, sobre os festejos de Carnaval e em 21 de fevereiro de 1979, com a inauguração da duplicação da Anhanguera e da Rodovia Washington Luiz no marco situado no trevo entre as duas rodovias. 

Na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional foi acrescentado nos últimos anos o acervo do jornal “A Tribuna” de Santos, e curiosamente, encontram-se referências a Cordeirópolis. 

A edição de 7 de setembro de 1971 destaca a participação do Grupo Teatral de Cordeirópolis na semifinal do IX Festival Estadual de Teatro Amador, com a peça “Esta Noite é Nossa”. Segundo consta, o grupo encerrou suas atividades durante a década de 1980. 

Em 20 de janeiro de 1973 o jornal cita que os kartistas “Lotfi e Travaglini já correram em praticamente todos os locais onde foram feitas provas de kart, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Curitiba, Ribeirão Preto, Volta Redonda, Rolândia, Ponta Grossa, Campinas, Santos, Jaú, Águas da Prata, Piracicaba, Araraquara, São Carlos, Jundiaí e Cordeirópolis.” Onde estão os registros desta corrida?

Outra nota no ano é o registro do falecimento de Antonio José Levy, na edição de 22 de setembro, onde se informa ter falecido “em Limeira, deixando filhos Antonio Carlos, casado com Marina Almeida Levy e Marina Thereza, casada com Dirceu Ribas. Era filho do cel. José Levy e da sra. Amália Roland Levy. Eram seus irmãos: Flamínio, que foi casado com a sra. Antonieta de Freitas Levy e Huberto, falecido, que foi casado com a sra. Loni Levy. Deixou ainda dois netos.”

Mais uma nota curiosa, da edição d´A Tribuna de 10 de outubro de 1977 é a que fala sobre o surgimento, em Cordeirópolis, de uma “fábrica de trituradores de lixo doméstico” chamado “Tweeny”, produzida com tecnologia nacional, que “soluciona a questão do lixo orgânico caseiro”. 

Tratava-se de um aparelho que seria instalado na pia da cozinha e que transformaria os restos de comida, ossos e cascas em partículas conduzidas diretamente para a rede de esgotos ou fossas, eliminando-se mau cheiro, a criação de bactérias indesejáveis nas áreas de serviço ou quintais e a proliferação de insetos, baratas e ratos. Alguém tem notícia dela?
 Revivendo História - Portal Cordero Virtual
Revivendo História
Por: Paulo César Tamiazo - Historiador - MTE nº 713/SP
Revivendo a Historia publica artigos periódicos sobre os mais variados temas da História de Cordeirópolis - https://orcid.org/0000-0003-2632-6546
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